Nova cepa recombinante do vírus da mpox é identificada no Reino Unido e na Índia
Nova cepa recombinante da mpox é identificada em dois países

Nova cepa recombinante do vírus da mpox é identificada em casos no Reino Unido e na Índia

Uma nova cepa recombinante do vírus da mpox foi identificada em dois casos detectados no Reino Unido e na Índia, conforme divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esses registros sugerem que o vírus pode estar circulando de forma mais ampla do que o documentado até o momento, embora a avaliação global de risco permaneça inalterada. Os dois pacientes apresentaram sintomas semelhantes aos já observados em outros casos da doença, sem quadros graves, e o rastreamento de contatos não identificou novas infecções associadas.

Situação da mpox no Brasil e no estado de São Paulo

No Brasil, especificamente no estado de São Paulo, o cenário da mpox continua a ser monitorado de perto. Até esta sexta-feira (20), o painel do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies) contabiliza 44 casos confirmados em 2026. Em comparação, todo o ano de 2025 registrou 422 casos confirmados no estado. Desde 2022, quando o vírus foi confirmado pela primeira vez em São Paulo, houve um total acumulado de 6.048 casos confirmados, destacando a persistência da doença na região.

O que é o vírus recombinante e como ele surge

A recombinação viral é um processo natural que ocorre quando dois vírus relacionados infectam a mesma pessoa e trocam material genético, gerando uma nova variante. A nova cepa recombinante do vírus da mpox é formada por elementos genéticos de dois diferentes clados – grupos de vírus que descendem de um mesmo ancestral comum. No caso descrito pela OMS, a cepa reúne características dos clados Ib e IIb do vírus da mpox. A análise genética indica que os dois pacientes foram infectados pela mesma variante recombinante, embora tenham adoecido com algumas semanas de diferença, o que sugere a possibilidade de mais casos ainda não identificados.

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Detalhes dos casos identificados no Reino Unido e na Índia

O primeiro caso reportado foi identificado no Reino Unido após a análise de uma amostra coletada de um viajante que retornou de um país da região Ásia-Pacífico em outubro de 2025. Inicialmente, exames classificaram o vírus como pertencente ao clado Ib, mas o sequenciamento completo do genoma revelou uma variante diferente, com regiões genéticas semelhantes aos clados Ib e IIb, confirmando ser um vírus recombinante. Autoridades britânicas monitoraram contatos do paciente, sem novos sintomas.

O segundo caso foi notificado na Índia em janeiro de 2026, mas ocorreu meses antes, em setembro de 2025, quando o paciente desenvolveu sintomas enquanto trabalhava na Península Arábica. Após retornar, exames confirmaram a infecção por mpox, e a amostra foi posteriormente reclassificada como a mesma cepa recombinante do Reino Unido. O paciente foi hospitalizado, recuperou-se completamente, e nenhum caso secundário foi identificado. A análise genética mostrou mais de 99,9% de similaridade entre os vírus dos dois países, indicando uma origem evolutiva comum.

Possível disseminação mais ampla do vírus

De acordo com a avaliação da OMS, o início dos sintomas do paciente na Índia ocorreu mais de dois meses antes do caso no Reino Unido. Isso sugere duas possibilidades principais: a origem exata da cepa recombinante ainda é desconhecida, e a transmissão desse vírus já envolveu pelo menos quatro países em três regiões do mundo. Especialistas consideram provável que a circulação do vírus seja maior do que a refletida pelos dois casos documentados, exigindo vigilância reforçada.

Transmissão, sintomas e desafios de diagnóstico da mpox

A mpox é causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus, transmitido principalmente por contato físico direto e próximo, incluindo relações sexuais, contato com objetos contaminados, partículas respiratórias em algumas situações, e de mãe para filho. Historicamente, surtos estavam associados a animais em florestas tropicais da África, mas fora dessas áreas, a transmissão entre pessoas é comum.

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Os sintomas mais comuns incluem febre, aumento dos linfonodos e erupções na pele ou lesões nas mucosas, que podem se assemelhar a outras doenças como catapora ou herpes. O surto global recente mostrou que algumas pessoas podem ter poucas lesões ou até infecção sem sintomas, o que ainda é pouco compreendido em relação à transmissão.

Testes comuns, como PCR, podem não identificar variantes recombinantes, classificando o vírus erroneamente em um único clado. O sequenciamento genômico completo é necessário para uma identificação correta, como demonstrado nos casos recentes.

Avaliação de risco e recomendações da OMS

Apesar da descoberta da nova cepa, a OMS afirma que é cedo para tirar conclusões sobre mudanças na transmissibilidade ou gravidade da doença. A avaliação de risco global permanece moderada para homens que fazem sexo com homens com parceiros novos ou múltiplos, e para profissionais do sexo, e baixa para a população em geral sem fatores de risco específicos.

A OMS orienta os países a manter vigilância ativa, ampliar a capacidade de diagnóstico e sequenciamento genômico, com recomendações incluindo notificação rápida de casos suspeitos, fortalecimento da prevenção, vacinação para populações em risco, integração com programas de HIV e IST, e comunicação clara de risco. Não há recomendação de restrições a viagens ou comércio relacionadas aos países onde os casos foram detectados.