Endometriose: ginecologista alerta que normalização da dor atrasa diagnóstico por anos
Normalizar dor atrasa diagnóstico de endometriose por anos

Endometriose: doença silenciosa que afeta milhões de mulheres no Brasil

A endometriose, uma condição crônica que impacta diretamente a qualidade de vida feminina, continua enfrentando significativos atrasos no diagnóstico, principalmente devido à normalização da dor pelas próprias pacientes. Segundo a ginecologista Bruna Petri Lages, do Grupo Med Imagem, muitos casos só são descobertos após anos de sofrimento silencioso.

O que é endometriose e seus principais sinais

Conceitualmente, a endometriose ocorre quando células do endométrio, tecido que deveria estar apenas dentro do útero, começam a crescer fora dele, em outras regiões da cavidade pélvica ou abdominal. "A gente já sabe que é uma doença inflamatória sistêmica, que afeta diversos órgãos e sistemas", explica a especialista.

A médica descreve a condição como a doença dos "cinco Ds":

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram
  • Dor na relação sexual
  • Dor ao menstruar
  • Dor pélvica crônica
  • Dor ao urinar
  • Dor ao evacuar

Além desses sintomas, outros sinais de alerta incluem:

  1. Inchaço abdominal frequente
  2. Alterações intestinais persistentes
  3. Dificuldade para engravidar
  4. Alterações emocionais e irritabilidade
  5. Fadiga constante

O grave problema da normalização da dor

De acordo com a dra. Bruna Petri, o tempo médio para confirmação da doença pode chegar a impressionantes sete anos, principalmente pela normalização da cólica intensa e outros desconfortos. "Muitas mulheres convivem anos sem diagnóstico porque aprenderam a entender que sentir dor é normal, comportamento que atrasa muito o diagnóstico", alerta a ginecologista.

Ela destaca que muitas pacientes só buscam investigação médica quando enfrentam dificuldades para engravidar, após anos de normalização progressiva da dor ao longo da vida. A endometriose pode estar diretamente associada à infertilidade, tornando o diagnóstico precoce ainda mais crucial.

Impactos físicos e emocionais da doença

Além dos evidentes impactos físicos, a endometriose interfere profundamente na saúde emocional das mulheres. "A endometriose piora o estresse porque causa mais dor, e o estresse também piora o quadro por causa do perfil inflamatório", destaca a especialista, explicando o ciclo vicioso que muitas pacientes enfrentam.

A condição não apenas causa dor física constante, mas também pode levar a:

  • Comprometimento das atividades diárias
  • Dificuldades profissionais
  • Problemas nos relacionamentos
  • Ansiedade e depressão
  • Isolamento social

Diagnóstico e tratamento da endometriose

O diagnóstico é realizado principalmente através de exames de imagem especializados, como ultrassom com preparo intestinal e ressonância magnética, que ajudam a identificar os focos da doença com precisão. Quanto ao tratamento, a dra. Bruna Petri esclarece que não há cura definitiva para a endometriose, mas é possível obter controle eficaz dos sintomas.

"O tratamento cirúrgico busca retirar focos da doença e melhorar a qualidade de vida e a fertilidade da paciente", explica a médica, ressaltando que cada abordagem é individualizada conforme as necessidades específicas de cada mulher. O cuidado geralmente começa de forma clínica, podendo incluir cirurgia em casos mais complexos ou avançados.

A importância do apoio familiar e da conscientização

A ginecologista reforça ainda a importância fundamental do apoio familiar e dos parceiros no processo de enfrentamento da doença. "A primeira coisa é não normalizar nem minimizar a dor da mulher. O tratamento é multiprofissional e o apoio melhora muito os resultados", coloca a especialista.

Para a dra. Bruna Petri, ampliar o debate sobre endometriose na sociedade é essencial para reduzir o sofrimento silencioso de milhares de pacientes. "Quanto mais a gente fala sobre endometriose, mais mulheres conseguem entender que sentir dor não é normal e procurar ajuda", conclui a médica, enfatizando a necessidade de romper com a cultura que naturaliza o sofrimento feminino.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar