Mulher enfrenta segundo câncer após vencer tumor do colo do útero no Acre
Aos 32 anos, a empresária Mariana Quintela vive pela segunda vez o desafio de enfrentar um câncer. Após concluir com sucesso o tratamento contra um tumor do colo do útero, diagnosticado em maio de 2023, ela recebeu em novembro de 2025 um novo diagnóstico: câncer de pulmão. A história de Mariana ganha destaque especialmente nesta quarta-feira (4), data em que se celebra o Dia Mundial de Combate ao Câncer, momento que chama atenção para a importância do diagnóstico precoce, da prevenção e do apoio familiar no enfrentamento da doença.
Sintomas e diagnóstico inicial do câncer do colo do útero
Segundo Mariana, os primeiros sintomas do câncer do colo do útero surgiram no mesmo ano do diagnóstico. Ela relatou que convivia com dores intensas na região abdominal e sangramentos fora do período menstrual, o que a levou a procurar atendimento médico após meses de desconforto persistente.
“Eu sentia muita dor no pé da barriga, era o dia inteiro. Também tinha sangramento em relações sexuais e fora do período menstrual. Quando contei tudo ao médico, ele falou que eu tinha no mínimo três diagnósticos e pediu vários exames”, afirmou a empresária.
Logo após a realização dos exames, foram identificadas três condições: endometriose, a presença do vírus HPV e alterações celulares preocupantes. A confirmação definitiva do diagnóstico veio somente após a biópsia, quando o material coletado foi analisado e apresentou resultado positivo para células cancerígenas.
Tratamento e complicações do primeiro câncer
Mariana só conseguiu passar pela cirurgia necessária em agosto de 2023 e, durante o procedimento, novos exames apontaram que a doença já havia se espalhado para além do local original.
“Quando fizeram a nova biópsia, dois linfonodos deram positivo. Isso mostrou que o câncer já tinha alcançado a corrente sanguínea”, explicou ela sobre a gravidade da situação.
A empresária deu início imediato ao tratamento oncológico e concluiu o acompanhamento em janeiro de 2024, acreditando ter superado o desafio. No entanto, durante exames de rotina realizados em novembro do ano passado, veio o diagnóstico inesperado do câncer de pulmão, iniciando uma nova batalha contra a doença.
Novo tratamento e efeitos colaterais enfrentados
Segundo Mariana, o tratamento desta vez é diferente, pois inclui sessões combinadas de quimioterapia e imunoterapia. Com o início do novo protocolo médico, ela passou a enfrentar outros efeitos colaterais significativos, como a queda de cabelo, e precisou raspar os fios, o que marcou mais uma etapa emocionalmente difícil do processo.
Ela relatou ainda que a rotina atual é marcada por altos e baixos constantes e que os efeitos da quimioterapia afetam diretamente o dia a dia, provocando cansaço intenso, enjoos, vômitos e muita fraqueza física.
“Todo dia você acha que vai acordar bem e que vai dar tudo certo. Mas, quando acorda, está mal. Você faz planos para o dia, mas nada daquilo acontece porque você não está bem e precisa entender que o seu corpo precisa descansar, mas ao mesmo tempo, você se cobra. A parte mais invasiva é a quimioterapia, é dolorosa e cansativa”, desabafou Mariana.
Mesmo em meio ao tratamento intensivo, a empresária pediu para adiar uma das sessões médicas para passar o Natal de 2025 com a família, demonstrando a importância dos momentos de afeto e convívio familiar durante o processo.
“Eu queria viver aquele momento, rever minhas primas e esquecer por um pouco que o câncer estava ali”, contou emocionada.
Apoio familiar e força materna
A mãe de Mariana, Lucilene Quintela, acompanha o tratamento de perto e está sempre ao lado da filha, oferecendo suporte emocional e prático. Segundo ela, a rotina se tornou um exercício diário de força interior e fé inabalável.
“Como mãe, a gente nunca espera que isso aconteça com um filho, esperamos que aconteça com a gente. Eu precisei ser a fortaleza dela, pois somos só nós duas. A fé em Deus tem sido o que me sustenta e acredito que ele está curando a minha filha”, afirmou Lucilene com determinação.
Importância do diagnóstico precoce e prevenção no Acre
Segundo o radioncologista Melk Menezes, os tipos de câncer mais incidentes no Acre entre as mulheres são os de mama, colo do útero, pulmão e cólon. Entre os homens, os mais frequentes são próstata, pulmão e cólon. O especialista explica que avanços significativos nos exames preventivos permitem identificar riscos com muito mais antecedência.
“Hoje existe a análise molecular do DNA do HPV, que consegue apontar alterações até cinco ou dez anos antes do câncer se desenvolver”, destacou o médico, enfatizando a evolução das técnicas de detecção.
Ele também reforça que a descoberta precoce do paciente aumenta dramaticamente as chances de cura e sobrevida.
“No câncer de mama, por exemplo, quando o diagnóstico é feito no início, as chances de cura podem chegar a mais de 90%. Sintomas como sangramento, alterações intestinais, dor persistente ou desconforto urinário precisam ser investigados rapidamente”, orientou o especialista, alertando para a necessidade de atenção aos sinais do corpo.
A história de Mariana Quintela serve como um alerta importante sobre a necessidade de vigilância constante com a saúde, mesmo após a superação de uma doença grave, e reforça o valor do apoio familiar e da detecção precoce na luta contra o câncer.



