Britânica quase morre após comprar canetas emagrecedoras online sem prescrição médica
Mulher quase morre após comprar canetas emagrecedoras online

Britânica relata experiência traumática com canetas emagrecedoras compradas na internet

A britânica Emma Dyer, de 40 anos, compartilhou publicamente sua experiência quase fatal com canetas emagrecedoras adquiridas online sem qualquer supervisão médica. Moradora de Carlton, em Nottinghamshire, Emma possui histórico de anorexia e bulimia, mas havia alcançado um peso saudável e estabilidade emocional antes do incidente.

Compra facilitada e ausência de verificações médicas

Emma descreve como foi extremamente fácil adquirir as injeções emagrecedoras através de um anúncio online. "Foi muito fácil", afirma ela. "Eles nunca perguntaram sobre meu histórico médico ou quais medicamentos eu estava tomando. Foi como fazer despesa." Ela pagou aproximadamente R$ 800 pelo que acreditava ser Saxenda, medicamento à base de liraglutida.

O site solicitou apenas seu índice de massa corporal (IMC), informação sobre a qual ela pôde mentir facilmente. "Se eles tivessem verificado meu histórico médico com meu clínico geral, acho que eu não teria conseguido comprar", reflete Emma. "Meu IMC era normal. Eu simplesmente não estava em condições de tomar uma decisão lógica."

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Reação grave e experiência traumática

Quando as injeções chegaram em março de 2024, as instruções estavam "mal impressas". Sem orientação adequada, Emma injetou uma dose média em vez de começar com quantidade reduzida. "No primeiro dia, eu não tinha apetite. Pensei: 'Isso é ótimo, é isso que eu quero'. Aí, no segundo dia, tudo começou", relata.

Ela desmaiou no chão do banheiro e experimentou sintomas alarmantes: "Eu não conseguia me mexer, não conseguia falar, não conseguia abrir os olhos. Estava tendo alucinações e vomitando tanto que comecei a vomitar sangue. Eu literalmente pensei: 'É isso aí — é assim que vou morrer'."

Preocupação com aumento de casos e falta de regulamentação

De acordo com dados recentes da University College London, aproximadamente 1,6 milhão de adultos no Reino Unido utilizaram injeções para emagrecer no último ano. Claire Fuller, diretora médica nacional do NHS na Inglaterra, expressou preocupação com relatos de vendedores não verificados promovendo esses medicamentos sem "supervisão clínica, exames médicos ou acompanhamento".

"A falta de supervisão pode pôr a saúde dos pacientes em risco e também pode haver preocupações sobre a qualidade ou autenticidade dos produtos oferecidos", alerta Fuller. "Os medicamentos para perda de peso são remédios potentes e podem ter efeitos colaterais graves, por isso só devem ser prescritos por um profissional de saúde devidamente treinado."

Impacto nos transtornos alimentares e aumento de encaminhamentos

Daniel Magson, CEO da instituição de caridade First Steps ED, especializada em transtornos alimentares, afirma que a experiência de Emma reflete uma tendência preocupante. "Estamos vendo um aumento enorme no número de pessoas que acessam injeções para perda de peso — algumas em farmácias, outras online e, em alguns casos, até mesmo em salões de beleza", revela Magson. "E elas não estão recebendo o apoio adequado."

A organização registrou 1.339 encaminhamentos de adultos em 2024 e 2025, representando aumento de 57% em comparação com os 852 do ano anterior. Magson destaca que agora estão treinando equipes sobre como "a mudança nos ideais corporais causada por elas está reativando os problemas nas pessoas — incluindo aquelas que se recuperaram décadas atrás".

Farmacêutica alerta sobre riscos de fontes não confiáveis

Grace Pickering, farmacêutica de 29 anos que trabalha na Well Pharmacy em Alfreton, Derbyshire, afirma que a experiência de Emma está longe de ser isolada. "Já tivemos algumas situações bastante preocupantes em que pessoas me mostraram coisas que não vieram de profissionais médicos", conta Grace. "Se você compra de uma fonte não confiável, o medicamento pode não ser o que diz ser."

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Ela explica que sua farmácia segue rigoroso protocolo que inclui consulta presencial inicial e acompanhamento mensal, e defende que todos os fornecedores deveriam adotar padrões similares. "Tudo o que queremos é que o serviço seja liderado por um profissional médico", enfatiza. "Consultas presenciais, acompanhamento regular e suporte imediato caso os pacientes precisem conversar sobre efeitos colaterais."

Apelo por regulamentação mais rigorosa

Emma defende medidas mais severas para controle desses produtos: "Eles deveriam pedir evidências fotográficas, ver a pessoa, verificar seu IMC, saber quais medicamentos ela está tomando, pedir prontuários médicos", argumenta. "Não se trata apenas das verificações. É antes, durante e depois. Você precisa desse apoio contínuo."

Ela espera que seu relato sirva de alerta para outras pessoas: "Foi o maior erro que já cometi. Recaí no meu transtorno alimentar. Quase morri. Não desejo isso a ninguém."

No Brasil, a venda dessas canetas é permitida apenas com receita médica, mas a comercialização pela internet, frequentemente envolvendo produtos manipulados ilegalmente ou importados do Paraguai, tem preocupado autoridades de saúde, com a Anvisa emitindo alertas sobre os riscos do uso inadequado.