Mato Grosso do Sul inicia distribuição de vacinas contra chikungunya em meio a surto da doença
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Mato Grosso do Sul anunciou nesta quarta-feira (1º) que o estado receberá 46.530 doses da vacina contra a chikungunya, doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. As doses serão enviadas pelo Ministério da Saúde para os municípios de Dourados e Itaporã, localizados na região sul do estado, que concentram o maior número de casos registrados.
Distribuição estratégica e critérios epidemiológicos
Do total de doses, 43.530 serão destinadas a Dourados e 3.000 para Itaporã, conforme a realidade epidemiológica de cada território. A data exata de chegada das vacinas aos municípios ainda não foi divulgada pelas autoridades sanitárias.
De acordo com a secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, a estratégia de vacinação segue critérios técnicos rigorosos e as orientações nacionais do Ministério da Saúde. "A operacionalização da vacinação está sendo organizada de forma integrada, considerando a realidade epidemiológica do território e as diretrizes nacionais", afirmou a gestora.
Dourados como município piloto na campanha nacional
Dourados foi incluído em uma estratégia piloto nacional de vacinação contra a chikungunya, com o planejamento ainda em andamento para definir os detalhes da aplicação das doses. A coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger, explicou que a distribuição prioriza as áreas mais afetadas.
"Dourados concentra o maior volume de doses devido ao cenário epidemiológico, e toda a estratégia está sendo estruturada para garantir uma implementação segura e eficiente", destacou a coordenadora. A ação também inclui a preparação das equipes de saúde e a organização da rede para aplicar as vacinas de maneira adequada.
Contexto epidemiológico preocupante no estado
Segundo o último boletim da SES, Mato Grosso do Sul registra 1.764 casos confirmados de chikungunya, além de 3.657 casos prováveis e 7 mortes relacionadas à doença. O surto tem exigido medidas emergenciais do poder público para conter o avanço da infecção.
Entre as ações já em andamento estão:
- Reforço no atendimento médico-hospitalar
- Aumento da vigilância epidemiológica
- Ampliação da capacidade de exames laboratoriais
- Apoio direto aos municípios mais afetados
Ampliação da estrutura hospitalar em Dourados
O governo estadual ampliou o atendimento em Dourados com a criação de 15 leitos exclusivos para pacientes com chikungunya no Hospital Regional. A estrutura inclui 10 leitos para adultos e 5 para crianças, integrados aos 100 leitos já existentes na unidade, sendo 20 de UTI.
Esta medida temporária busca organizar o atendimento diante do aumento expressivo de casos na região. Paralelamente, estão em andamento outras iniciativas como reforço nas notificações, apoio na investigação de óbitos e suporte de exames pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen).
Combate ao mosquito transmissor continua essencial
O estado também intensificou o apoio aos municípios no controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor não apenas da chikungunya, mas também da dengue e zika. As ações incluem:
- Envio de equipamentos especiais para combate ao vetor
- Uso de fumacê e borrifação em áreas críticas
- Trabalho de equipes para identificar e eliminar criadouros
- Orientação direta à população sobre medidas preventivas
Há ainda atuação prioritária em territórios indígenas, com presença constante de equipes, capacitação de agentes de saúde e integração entre diferentes órgãos públicos.
Prevenção individual segue sendo fundamental
A SES reforça que, mesmo com a chegada das vacinas, a prevenção individual continua crucial. A população deve eliminar qualquer acúmulo de água parada que possa servir de criadouro para o mosquito e procurar atendimento médico ao apresentar sintomas como:
- Febre alta repentina
- Dores intensas nas articulações
- Dor de cabeça persistente
- Manchas vermelhas na pele
As autoridades sanitárias alertam para a importância de evitar a automedicação e buscar orientação profissional adequada ao primeiro sinal da doença. A integração entre vacinação, controle vetorial e cuidados individuais representa a estratégia mais eficaz para enfrentar o surto de chikungunya em Mato Grosso do Sul.



