Mpox mantém circulação ativa no território brasileiro em 2026
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais confirmou nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, um novo caso de mpox no município de Contagem, localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com essa atualização, o estado mineiro alcança a marca de 18 diagnósticos da doença somente neste ano, demonstrando que o vírus continua presente no cenário nacional.
Panorama epidemiológico atualizado
Até a manhã de quarta-feira, 25 de março, Minas Gerais contabilizava 17 casos confirmados. A maior concentração de registros permanece na capital Belo Horizonte, mas outras cidades como Formiga, Ribeirão das Neves e Manhuaçu também apresentam notificações. O perfil dos pacientes em Minas Gerais é bastante específico: todos são homens com idades variando entre 24 e 56 anos.
Segundo a última atualização oficial do Ministério da Saúde, divulgada há duas semanas, o Brasil totaliza 140 casos confirmados de mpox em 2026. A reportagem solicitou números mais recentes à pasta, mas ainda não obteve retorno. Apesar da circulação viral, a avaliação governamental indica que não há um cenário de crise no momento.
"Considerando o período de 1º de janeiro a 9 de março, houve uma redução de 48,4% no número de casos em comparação com o ano passado, quando foram registrados 289 casos no mesmo intervalo. Os 140 casos registrados neste ano são, em sua maioria, leves ou moderados, sem óbitos", informou oficialmente o Ministério da Saúde.
Mecanismos de transmissão predominantes
A mpox é uma infecção viral causada pelo vírus monkeypox (MPXV), parente do vírus da varíola tradicional. Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça e lesões cutâneas características que evoluem para bolhas na pele.
Segundo o renomado infectologista Leonardo Weissmann, do Instituto Emilio Ribas, hospital especializado em doenças infectocontagiosas, o padrão de transmissão nos surtos recentes está bem estabelecido e continua centrado no contato direto entre indivíduos.
"O vírus é transmitido principalmente pelo contato com lesões de pele ou mucosas de pessoas infectadas, além de secreções e objetos contaminados, como roupas de cama e toalhas", explica Weissmann. "A transmissão por via respiratória até pode ocorrer, mas tem papel limitado na disseminação atual."
Contexto sexual como principal via de disseminação
Atualmente, a principal forma de disseminação está associada ao contato íntimo entre pessoas. De acordo com as observações do especialista, a transmissão em contextos sexuais se tornou predominante nos surtos recentes, especialmente entre adultos jovens e homens que fazem sexo com homens.
Weissmann ressalta, no entanto, que o vírus não se restringe exclusivamente a esse grupo populacional e pode atingir qualquer pessoa, independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero. A transmissão ocorre principalmente pelo contato pele a pele durante atividades que envolvem proximidade física.
Alguns perfis apresentam maior vulnerabilidade ao risco de contágio, principalmente devido à maior exposição potencial:
- Pessoas com múltiplos parceiros sexuais
- Participantes de eventos com contato físico próximo
- Profissionais de saúde sem proteção adequada
- Indivíduos que compartilham objetos pessoais com pessoas infectadas
Medidas preventivas essenciais
Em relação à prevenção, as orientações centrais incluem:
- Evitar contato direto com lesões suspeitas na pele de outras pessoas
- Não compartilhar objetos pessoais como toalhas, roupas íntimas ou utensílios de higiene
- Manter higiene frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel
- Buscar avaliação médica imediata diante de qualquer sintoma suspeito
No contexto atual de transmissão predominante, reduzir o número de parceiros sexuais e utilizar preservativos pode ajudar a diminuir o risco, embora não elimine completamente a possibilidade de contágio, já que a transmissão ocorre principalmente pelo contato direto entre áreas da pele.
"A transmissão ocorre principalmente pelo contato pele a pele", reforça o infectologista Leonardo Weissmann. "Em situações específicas, como no cuidado de casos suspeitos ou confirmados, o uso de equipamentos de proteção individual e, eventualmente, a vacinação podem ser recomendados pelas autoridades sanitárias."
A vigilância epidemiológica continua ativa em todo o território nacional, com monitoramento constante da evolução dos casos e atualização das estratégias de prevenção conforme o cenário se desenvolve.



