Mpox retorna ao radar brasileiro com quase 90 casos confirmados
A mpox, doença viral que causa preocupação em saúde pública, está novamente em evidência no Brasil. Segundo dados atualizados do Ministério da Saúde, o país já registra 88 casos confirmados da infecção, além de dois prováveis e 171 suspeitos, com monitoramento realizado entre 1º de janeiro e 24 de fevereiro deste ano.
Sintomas iniciais podem confundir diagnóstico
Os primeiros sinais da mpox frequentemente se assemelham a outras doenças virais, dificultando a identificação precoce. Febre e calafrios estão entre as manifestações iniciais mais comuns, seguidas por dores musculares, fraqueza generalizada e cefaleia. Este conjunto sintomático pode facilmente ser confundido com quadros gripais ou outras infecções virais corriqueiras.
"O mais característico da infecção por mpox são aquelas lesões na pele que podem se espalhar no corpo todo ou se concentrar em região genital e abdômen", explica Raquel Stucchi, infectologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "São lesões que formam bolhas que, depois, se abrem e ocorre a formação das feridas, as úlceras."
Erupções cutâneas: o sinal mais distintivo
Após aproximadamente três dias dos sintomas iniciais, surgem as erupções na pele, que representam o marcador mais reconhecível da doença. Estas lesões costumam aparecer principalmente no rosto, palmas das mãos e plantas dos pés, mas também podem manifestar-se na boca, região ocular, órgãos genitais e ânus.
Outro sintoma importante a ser observado é o inchaço dos linfonodos, popularmente conhecidos como ínguas, especialmente nas áreas do pescoço e virilha. O período de incubação da doença varia entre três e 16 dias, podendo estender-se até 21 dias em alguns casos.
Transmissão e grupos de risco
A transmissão da mpox ocorre através de interação física prolongada, exposição a secreções e gotículas respiratórias, além do contato com objetos pessoais contaminados, como toalhas, roupas de cama e utensílios domésticos. É fundamental compreender que a disseminação não se restringe a contatos sexuais, evitando assim a estigmatização dos pacientes.
Pessoas imunossuprimidas e indivíduos que vivem com HIV constituem grupos de maior vulnerabilidade, necessitando de atenção médica imediata diante de qualquer suspeita. Em casos mais graves, a doença pode levar a óbito, embora a maioria dos registros atuais apresente quadros leves ou moderados.
Importância do diagnóstico presencial
Apesar da popularização das teleconsultas, especialistas enfatizam a necessidade de atendimento médico presencial para casos suspeitos de mpox. "As Unidades Básicas de Saúde e os serviços privados estão capacitados para reconhecer a doença, fazer o diagnóstico e orientar tudo que é necessário fazer", afirma Stucchi.
Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), alerta sobre os desafios na prevenção: "As pessoas devem evitar o contato com pessoas infectadas com as lesões suspeitas e objetos contaminados, o que é difícil quando não se tem o diagnóstico".
Cenário epidemiológico e vigilância contínua
O Ministério da Saúde destaca que o atual cenário "não indica situação de crise" e que o Sistema Único de Saúde (SUS) "está preparado para diagnóstico, tratamento e monitoramento dos casos". Os registros de 2026 mostram uma redução de 64% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 244 casos.
Contudo, especialistas recomendam manutenção da vigilância, especialmente considerando o período pré-carnaval com suas aglomerações e eventos sociais. "É possível que a gente ainda veja um crescimento desses casos nas próximas duas ou três semanas. Por isso, a importância da busca ativa por diagnóstico", conclui Barbosa.
Não existe tratamento específico para a mpox, apenas manejo sintomático, tornando a prevenção e o diagnóstico precoce ferramentas essenciais no controle da disseminação viral no território nacional.
