Morte após injeção de coquetel vitamínico no Acre alerta para riscos de aplicações sem prescrição médica
Maiko Oliveira França, de 31 anos, morreu após desenvolver uma infecção grave decorrente da aplicação de um coquetel vitamínico em uma farmácia no Acre. O caso, ocorrido em Tarauacá, reacende o debate entre profissionais da saúde sobre a segurança e eficácia desses tratamentos injetáveis, com um consenso claro: a aplicação deve ser feita apenas com prescrição médica.
Detalhes do caso e investigação em andamento
Segundo relatos da família, Maiko procurou o estabelecimento no dia 18 de março após sentir tonturas. No local, uma atendente recomendou a aplicação de um coquetel de vitaminas, que foi administrado por uma mulher descrita como filha dos proprietários, mesmo com hesitação inicial do paciente. Nos dias seguintes, seu quadro de saúde piorou drasticamente, com dores intensas, hematomas e agravamento dos sintomas.
Ele foi internado em Tarauacá por dois dias e, devido à gravidade, transferido via aérea para Cruzeiro do Sul, onde faleceu no dia 22 de março. A causa da morte foi sepse associada a fasciíte necrosante, uma infecção que se espalha rapidamente e pode levar à falência de órgãos. O Ministério Público do Estado (MP-AC) e o Conselho Regional de Farmácia (CRF-AC) estão investigando as circunstâncias do caso.
Opiniões divergentes entre profissionais da saúde
Para o cirurgião geral e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Nilton Ghiotti, os coquetéis vitamínicos não têm eficácia comprovada e não são recomendados, exceto em casos de deficiência comprovada. Ele alerta que o uso em pessoas saudáveis pode causar reações anafiláticas fatais e hipervitaminose, sobrecarregando órgãos como os rins. "Nada supera uma dieta equilibrada e atividades físicas regulares", afirmou.
Já a presidente do CRF-AC, Larissa Botelho, defende que a aplicação de medicamentos injetáveis pode ser realizada em farmácias por profissionais habilitados, desde que haja estrutura adequada e prescrição médica. Ela ressalta, porém, que o uso indiscriminado traz riscos como reações adversas e excesso de vitaminas, recomendando sempre avaliação médica prévia.
Impacto familiar e protestos por justiça
Maiko deixou três filhos, com idades de 10 anos, 8 anos e um mês, além de uma companheira com quem mantinha união estável há mais de dez anos. Familiares protestaram em Tarauacá, expressando revolta com a continuidade das atividades da farmácia e exigindo justiça. "É uma dor muito grande na nossa família por conta de um erro de uma farmácia", disse uma prima da vítima.
O caso destaca a importância da regulamentação e conscientização sobre práticas de saúde, especialmente em regiões interioranas, onde o acesso a informações e supervisão pode ser limitado.



