Família acusa hospital de negligência após morte de adolescente por Influenza em Sorocaba
Bryan de Souza Camargo, um adolescente de apenas 13 anos, faleceu no dia 6 de abril em decorrência de uma infecção pelo vírus Influenza, na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo. Os primeiros sintomas surgiram em 29 de março, apenas oito dias antes de sua morte, iniciando uma sequência de eventos que a família agora classifica como negligência médica.
Eliseu Gomes de Souza, pai do menino, relata ao g1 que a busca por justiça tem caminhado lado a lado com o luto intenso que assola a família. Sorocaba já registra cinco mortes por Influenza em 2026, sendo Bryan a vítima mais jovem até o momento.
Atendimento inicial considerado insuficiente
Na segunda-feira, 30 de março, quando Bryan começou a reclamar de dores no peito, seus pais o levaram imediatamente a um pronto atendimento pediátrico em hospital particular. Segundo Eliseu, a médica que os atendeu atribuiu as dores a "apenas dores musculares, por ele ficar muito tempo no computador".
"Quando eu disse que ele não tem computador, apenas celular, ela disse que podia ser do celular e iria receitar um anti-inflamatório. Não pediu nenhum tipo de exame e fomos para casa com ele", conta o pai, ainda perplexo com a abordagem.
Piora progressiva e internação urgente
Um dia após a consulta, Bryan permaneceu afastado de suas atividades, passando o dia dormindo. Na quarta-feira, 1º de abril, as dores no peito intensificaram-se, levando os pais a retornarem ao hospital. Desta vez, foi realizado um raio-x do tórax, que não identificou anormalidades.
O adolescente também apresentava uma íngua na região do ombro, mas, segundo Eliseu, o médico atribuiu o caroço a uma inflamação comum, sem solicitar exames complementares como hemograma.
A situação deteriorou-se rapidamente na tarde da quarta-feira, com Bryan apresentando vômitos e falta de ar. À noite, com o aumento das dores, os pais o levaram novamente ao hospital, onde foi direcionado à urgência e, posteriormente, encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Diagnóstico tardio e luta pela vida
Na UTI, finalmente foi solicitado um hemograma, que confirmou a presença do vírus Influenza A. Bryan permaneceu internado por cinco dias, mas seu estado piorou drasticamente.
"No sábado de manhã, a doença avançou mais no pulmão dele, tomando conta de quase tudo. Ele teve mais quatro paradas cardíacas. No domingo, o vírus ainda estava ativo no pulmão dele, estava muito inflamado e funcionando apenas com um terço", relata Eliseu.
Na segunda-feira, 6 de abril, por volta das 18h40, os médicos informaram à família que Bryan estava em morte cerebral, não havendo mais possibilidades de intervenção. O adolescente faleceu poucas horas depois.
Luto familiar e busca por responsabilização
A família enfrenta uma dor agravada por coincidências trágicas. Os dias 6 e 7 de abril, antes marcados por celebrações de aniversário de familiares, agora lembram a morte e o sepultamento de Bryan. A proximidade com o aniversário do adolescente, que completaria 14 anos no dia 20 de abril, intensifica a saudade.
Eliseu afirma que não esquece as primeiras abordagens médicas e reforça sua convicção de que houve negligência. "Para mim, foi um caso de negligência médica e, por isso, a família se prepara para seguir lutando pelos seus direitos", declara.
No entanto, o processo judicial ainda gera hesitação: "A minha vontade é, sim, de entrar com processo, mas, por enquanto, estamos com medo de ficar remoendo tudo o que aconteceu e nos machucarmos ainda mais".
Posicionamento do hospital
O Hospital AmheMed, por meio de sua assessoria, enviou uma nota expressando pesar pelo falecimento e solidariedade à família. A instituição afirmou que está em contato com os familiares, prestando apoio e esclarecimentos.
"Foi realizada apuração interna criteriosa de todas as circunstâncias relacionadas ao atendimento prestado, não sendo identificados desvios assistenciais. A instituição permanece à disposição da família", diz o comunicado.
Entendendo a Influenza
A Influenza, comumente conhecida como gripe, é uma infecção respiratória causada principalmente pelos vírus tipos A e B. Diferente do resfriado comum, a gripe provoca sintomas mais intensos, como febre alta, dores no corpo, cansaço extremo e comprometimento sistêmico significativo.
Segundo especialistas, a piora progressiva dos sintomas é um sinal de alerta crucial que deve ser monitorado cuidadosamente, especialmente em grupos vulneráveis como crianças e adolescentes.



