Jovem de 17 anos morre após pneumonia não diagnosticada em UPA no Paraná
Morte de jovem por pneumonia não diagnosticada em UPA no PR

Jovem de 17 anos morre após pneumonia não ser diagnosticada em UPA no Paraná

A Polícia Civil do Paraná está investigando a morte de Brenda Cristina Rodrigues, uma adolescente de 17 anos que faleceu devido a uma pneumonia bacteriana após buscar atendimento médico três vezes em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em União da Vitória, no sul do estado. O caso, que chocou a comunidade local, levanta sérias questões sobre a qualidade do atendimento na rede pública de saúde.

Detalhes do atendimento e piora do estado de saúde

Brenda procurou a UPA nos dias 16, 17 e na madrugada de 18 de janeiro, relatando sintomas como falta de ar e dor no peito. Em todas as ocasiões, os profissionais de saúde diagnosticaram o quadro como uma crise de ansiedade, liberando-a sem realizar exames mais aprofundados, como raio-X do pulmão ou eletrocardiograma, conforme solicitado pela família.

Diante da piora contínua, a família decidiu levar Brenda a um hospital particular na manhã do dia 18. Lá, exames confirmaram a pneumonia bacteriana, e a jovem foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Infelizmente, seu estado de saúde deteriorou-se rapidamente, e ela faleceu no dia 19 de janeiro, um dia após o diagnóstico correto.

Investigações em andamento

O inquérito policial foi aberto para apurar possíveis crimes de negligência médica, omissão de socorro ou homicídio culposo. A polícia vai ouvir todos os profissionais que atenderam Brenda na UPA, desde a triagem até as médicas responsáveis, e analisará os prontuários médicos, além de aguardar o resultado de uma necropsia.

O advogado da família, Mateus Daldin, afirmou que a morte não foi uma fatalidade inevitável, mas sim o resultado de uma sequência de erros. A família registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.), dando início à investigação.

Respostas das instituições envolvidas

A prefeitura de União da Vitória, responsável pela UPA, informou que abrirá um processo administrativo e aguarda as conclusões da investigação policial. A unidade é administrada pelo Instituto Humaniza, uma empresa terceirizada, que afastou as médicas envolvidas no caso e afirmou estar colaborando com as autoridades.

Em nota, o instituto expressou pesar pelo falecimento e destacou que adota critérios rigorosos na seleção de profissionais, garantindo a qualificação e regularidade junto aos conselhos de classe.

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também está acompanhando o caso e vai instaurar uma sindicância. Se comprovada violação ao código de ética, as punições podem variar de advertência até a cassação do exercício profissional.

Contexto familiar e emocional

Brenda, que completaria 18 anos em fevereiro, morava com os avós, que a consideravam como pais. Eles relataram a frustração de buscar atendimento quatro vezes em três dias, sem receber o diagnóstico adequado. O avô, Renato Carlos Rodrigues, descreveu a angústia de ver a neta piorar sem que exames necessários fossem realizados na UPA.

Este caso reacende o debate sobre a segurança e eficácia do atendimento em unidades de saúde pública, especialmente em situações de emergência onde diagnósticos precisos são cruciais para salvar vidas.