Polícia Civil investiga morte de empresária após lipoaspiração em São Luís
A empresária Ariene Rodrigues Pereira, de 37 anos, faleceu na terça-feira, 20 de janeiro, após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante uma cirurgia plástica em uma clínica particular de São Luís, no Maranhão. Segundo informações da família, a vítima realizava uma lipoaspiração quando passou mal. O caso está sendo investigado pelo 13º Distrito Policial do Cohatrac, da Polícia Civil do Maranhão.
Detalhes do ocorrido e questionamentos da família
De acordo com o boletim de ocorrência, parentes informaram que Ariene tinha hipotireoidismo e fazia uso de medicação contínua. A família afirma que ainda não recebeu confirmação sobre a realização de exames pré-operatórios ou avaliação de risco cirúrgico adequados. Além disso, os familiares relatam que o prontuário médico só foi entregue após a chegada da advogada, por volta das 23h, o que gerou suspeitas sobre a transparência do processo.
A advogada da família, Vivian Bauer, destacou que houve divergências nas informações repassadas pela equipe médica. "O prontuário médico, assim que requerido pela família, não foi entregue. Só foi dado após a minha chegada, por volta das 22h50. Eu o requeri e, por volta das 23h50 da noite, é que foi entregue o prontuário médico", afirmou. Ela ressaltou a necessidade de esclarecer os fatos para evitar injustiças.
Tentativas de reanimação e causa da morte
Conforme o relatório médico, a equipe tentou reanimar a paciente por aproximadamente 90 minutos, utilizando medicamentos e desfibrilação. No entanto, Ariene não respondeu aos esforços e teve a morte declarada por volta das 20h. A clínica informou que estavam presentes no centro cirúrgico médicos cirurgiões, anestesistas e cardiologistas, e que todas as medidas médicas e hospitalares indicadas foram adotadas.
Segundo a clínica, com base no laudo do Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte foi identificada como uma embolia maciça por coágulo sanguíneo, descrita como um evento de evolução súbita e grave. A instituição afirmou que ofereceu toda a assistência necessária e possui todas as licenças exigidas para funcionamento.
Posição da defesa do cirurgião
O médico responsável pelo procedimento, Dr. Alexandre Augusto Gomes, foi defendido por seu advogado, Lymark Kamaroff, que emitiu uma nota detalhada. A defesa afirmou que o médico seguiu todos os protocolos, que a paciente não tinha contraindicações para a cirurgia e que a morte foi causada por uma embolia pulmonar considerada imprevisível.
Na nota, o advogado destacou: "Não há culpa por nexo de causalidade entre a fatalidade que acometeu a paciente e atuação do Dr. Alexandre, que sempre agiu diligentemente, seguindo os padrões preconizados pela boa técnica". Ele também mencionou que a paciente assinou um termo de consentimento livre e esclarecido, reconhecendo a possibilidade de eventos adversos.
Reação de órgãos reguladores
O Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA) informou que ainda não recebeu uma denúncia formal sobre o caso. No entanto, o órgão está realizando um levantamento preliminar para avaliar as circunstâncias e decidir se adotará medidas cabíveis. A investigação policial continua em andamento, com foco em apurar possíveis negligências ou irregularidades no procedimento cirúrgico.
Este trágico incidente levanta questões importantes sobre a segurança em cirurgias plásticas e a necessidade de rigor nos protocolos médicos, especialmente em casos de pacientes com condições pré-existentes. A comunidade local e familiar aguarda ansiosamente por mais esclarecimentos das autoridades competentes.