Mãe morre após buscar hospital quatro vezes em Marabá, no Pará, e família questiona atendimento
Mãe morre após 4 idas a hospital em Marabá; família questiona

Tragédia em Marabá: Mãe morre após buscar hospital quatro vezes e família questiona atendimento

Uma mulher de 33 anos, que havia dado à luz há menos de um mês, faleceu em Marabá, no sudeste do Pará, após procurar atendimento médico em quatro ocasiões distintas no Hospital Materno Infantil (HMI) da cidade. Somente na quinta ida a uma unidade de saúde, Nilcinha Alves da Silva, de 33 anos, foi finalmente diagnosticada com pneumonia, mas não resistiu às complicações. A bebê, de poucos dias de vida, permanece internada no mesmo hospital, conforme relato dos familiares.

Família abalada e indignada com o desfecho

Nilcejane Alves, irmã da paciente, afirmou que a família está profundamente abalada com a morte e indignada com a forma como o caso foi tratado pelas autoridades médicas. A morte ocorreu na madrugada de domingo, dia 9 de março. "Foi muito desrespeitoso o que disseram. Nunca falamos que foi problema do parto. O que questionamos é a falta de diagnóstico. Ela correu atrás, pediu ajuda, e o médico nem olhou para ela nas primeiras vezes", declarou Nilcejane, emocionada.

Segundo o relato da irmã, a mulher começou a sentir fortes dores nas costas poucos dias após a cesariana, realizada no próprio HMI. O incômodo se agravou progressivamente e, com o surgimento de sintomas respiratórios preocupantes, ela retornou à unidade de saúde em várias oportunidades. "Nas quatro vezes em que voltou, diziam que era por causa da postura. Passaram remédio para tomar em casa, mas ela continuava sentindo muita dor. Quando finalmente foi levada ao hospital municipal, já estava muito mal", contou Nilcejane.

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Relatos angustiantes das horas finais

De acordo com a família, a paciente relatou nas horas finais que sentia falta de ar intensa e tossia sangue, demonstrando extrema preocupação com a filha recém-nascida. "Eu estou preocupada com a bebê, não consigo nem segurar a minha filha para amamentar", teria dito Nilcinha, em um momento de desespero. A situação evidencia o sofrimento físico e emocional enfrentado pela jovem mãe durante o processo.

Posicionamento oficial da Prefeitura de Marabá

Em nota oficial, a Prefeitura de Marabá informou que a paciente recebeu atendimento no Hospital Materno Infantil no dia 16 de fevereiro, quando realizou a cesariana, e que tanto ela quanto o bebê receberam alta em boas condições de saúde. Ainda segundo a nota, a mulher retornou dias depois com queixas de dores nas costas, mas sem sinais evidentes de infecção ou complicações diretamente relacionadas ao parto.

No dia 8 de março, já no Hospital Municipal de Marabá, exames médicos constataram a presença de pneumonia comunitária, além de aumento do fígado e do baço. A paciente apresentou insuficiência respiratória grave, foi intubada, mas infelizmente sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e faleceu às 4h10 do dia 9 de março. A prefeitura afirma categoricamente que "não há evidências médicas que indiquem relação entre o procedimento cesáreo e o quadro de pneumonia que levou ao falecimento". O município e a direção do hospital manifestaram solidariedade à família e se colocaram à disposição para esclarecimentos adicionais.

Família cobra responsabilização e questiona conduta médica

Para os familiares, a principal questão gira em torno da conduta médica observada nas primeiras consultas, onde acreditam que houve negligência no diagnóstico. Nilcejane destaca que a irmã confiava plenamente nos profissionais de saúde, mas se sentiu profundamente negligenciada durante o processo. "A gente sempre acredita no médico, mas ela tentou buscar ajuda e não foi ouvida. Se tivessem investigado antes, podia ser diferente", afirmou, ressaltando a frustração e a dor da perda.

A família agora se divide entre o luto pela perda irreparável e os cuidados intensivos com a bebê recém-nascida, que segue internada após apresentar desconforto com a alimentação por fórmula, indicada pelos médicos devido à interrupção da amamentação. Segundo os parentes, o estado de saúde da criança é considerado estável, mas a situação gera preocupação adicional em meio à tragédia.

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Reflexões sobre a saúde pública e o atendimento médico

Este caso trágico levanta questões importantes sobre a eficácia do atendimento médico em situações de emergência e a necessidade de uma avaliação mais criteriosa por parte dos profissionais de saúde. A demora no diagnóstico e a subsequente fatalidade destacam desafios persistentes no sistema de saúde, especialmente em regiões com recursos limitados. A família espera que a história de Nilcinha sirva como alerta para evitar que outras pessoas passem por situações semelhantes, enquanto buscam justiça e respostas concretas sobre as circunstâncias que levaram à morte prematura da jovem mãe.