Telerradiologia gera laudos errados no Piauí e MP investiga substituição de médicos
Laudos errados por telerradiologia preocupam autoridades no Piauí

Laudos médicos incorretos por telerradiologia acionam investigação no Piauí

Um inquérito do Ministério Público do Piauí está em andamento para apurar denúncias graves envolvendo a emissão de laudos médicos errados através do sistema de telerradiologia no Hospital Natan Portella, localizado em Teresina. A ferramenta, que permite a avaliação de exames de imagem por médicos à distância, tem sido alvo de críticas por supostamente substituir profissionais presenciais, resultando em diagnósticos equivocados que colocam em risco a saúde dos pacientes.

Casos alarmantes de diagnósticos falhos

Entre os erros reportados, situações preocupantes chamam a atenção das autoridades e da sociedade. Mulheres receberam resultados referentes à próstata, um órgão exclusivamente masculino, evidenciando falhas crassas na análise. Além disso, pacientes com câncer tiveram a doença não detectada em laudos emitidos pelo sistema, o que pode retardar tratamentos essenciais e agravar condições de saúde. A confirmação desses casos partiu de Eliane Mendes, responsável técnica do setor de imagem do hospital, reforçando a seriedade das acusações.

Denúncia e desvio de função de radiologistas

De acordo com Samuel Rêgo, presidente do Sindicato dos Médicos do Piauí (Simepi), a denúncia foi formalizada pelos próprios radiologistas do Hospital Natan Portella em setembro. Ele destaca que os profissionais sofreram desvio de função após a implementação da telerradiologia na instituição. "O concurso deles é para radiologia. Levamos isso para o Ministério Público, que está investigando. Já tem parecer do Conselho Regional de Medicina dizendo que essa prática é irregular", afirmou Rêgo, acrescentando que a telemedicina deve servir como auxílio, não como substituição.

Problema se estende à rede municipal de saúde

O presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), João Moura Fé, alerta que a questão não se limita ao hospital, afetando também a rede de saúde municipal de Teresina. Ele explica que a Fundação Municipal de Saúde (FMS) contratou uma empresa de telemedicina para realizar funções de radiologistas, uma medida questionável diante da carência de profissionais. "O que se questiona é a necessidade de fazer essa terceirização. Tivemos uma reunião com a fundação e vamos tentar solucionar ou revogar esse ato administrativo", declarou Moura Fé, enfatizando a busca por soluções que priorizem a qualidade do atendimento.

Respostas das autoridades de saúde

Em resposta às críticas, a Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi) anunciou planos para implantar um sistema de controle de qualidade dos resultados de exames, visando reduzir falhas nos laudos. A Sesapi reconhece que erros podem ocorrer tanto na modalidade presencial quanto na remota, mas reforça o compromisso com a segurança dos pacientes. Já a FMS defende a telerradiologia como um avanço, argumentando que o programa Piauí Saúde Digital agilizou a entrega de laudos, que antes demoravam até três meses, para um prazo de 24 horas. A fundação informa que os médicos radiologistas serão remanejados para áreas com maior carência na rede municipal.

Impacto na saúde pública e próximos passos

Este caso levanta debates cruciais sobre o uso da tecnologia na saúde, equilibrando inovação com a garantia de diagnósticos precisos. A investigação do Ministério Público e as ações propostas pelas secretarias buscam minimizar riscos e assegurar um atendimento eficiente para a população piauiense. Enquanto isso, a sociedade aguarda soluções que evitem novos erros e protejam a integridade dos pacientes, destacando a importância da supervisão médica presencial em procedimentos críticos.