Família encontra larvas na boca de paciente em UTI no RS e denuncia hospital
A família de um paciente internado no Hospital Santa Luzia, localizado em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, fez uma grave denúncia contra a instituição de saúde. Durante uma visita à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), os familiares descobriram a presença de larvas na boca de Reni Farias da Silveira, de 68 anos, que se encontra em estado grave e aguarda transferência para Porto Alegre.
Descoberta chocante e relatos das filhas
O episódio ocorreu na segunda-feira, dia 23 de fevereiro, conforme relato das filhas do paciente. Pâmela Medeiros da Silveira descreveu o momento em que percebeu a situação: "Quando eu vi a boca dele, já vi aquelas larvas. Até subi numa escadinha que tinha ali, olhei bem e abri a boca dele. Estava tomada de larvas". A família já havia notado moscas no ambiente da UTI no domingo anterior, dia 22, e comunicou à equipe de enfermagem que o ar-condicionado do leito estava desligado.
Histórico médico e complicações
Reni Farias da Silveira deu entrada inicialmente em um hospital de Xangri-Lá no dia 24 de janeiro, com queixas de dores, sendo transferido dois dias depois para Capão da Canoa com diagnóstico de compressão medular. Segundo a família, o quadro evoluiu com diversas complicações, incluindo um acidente vascular cerebral (AVC) recente e uma infecção bacteriana. A advogada da família, Daiana Soraya da Silva, afirma que o paciente só foi incluído no Sistema Estadual de Regulação dias após a internação, mesmo já apresentando um quadro grave, e que a regulação ocorreu apenas após pressão familiar.
Reação da família e medidas tomadas
Após a descoberta, a família buscou assistência jurídica imediatamente, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e formalizou uma denúncia ao Ministério Público. Em documento entregue ao hospital, questionam por que a limpeza só teria sido realizada no dia seguinte ao aviso sobre as moscas. Larissa Medeiros da Silveira, outra filha do paciente, destacou: "É uma UTI. Não deveria ter mosca. Deveria ser o local mais limpo possível". A família pede urgência na transferência para um hospital com estrutura especializada.
Posicionamento das autoridades e do hospital
O Ministério Público em Capão da Canoa recebeu a representação da família e já adotou providências, incluindo a instauração de uma investigação coletiva para apurar possíveis irregularidades estruturais e falhas no atendimento. Em nota, o Hospital Santa Luzia afirmou que "adotou todas as condutas assistenciais necessárias e executou avaliação clínica imediata do paciente", reforçando que mantém protocolos rigorosos de controle de infecção e higiene ambiental.
A Secretaria da Saúde do estado informou que o paciente está no sistema de Gerenciamento de Internações Hospitalares e aguarda a disponibilização de um leito adequado ao seu quadro clínico, que inclui uma bactéria multirresistente exigindo isolamento específico. A Prefeitura de Capão da Canoa esclareceu que o hospital não integra a rede pública municipal, mas está em contato com a direção para acompanhar as providências.
Investigações em andamento
O caso continua sob investigação, com o Ministério Público buscando identificar as falhas que permitiram a situação degradante. As autoridades estão analisando aspectos como rotinas hospitalares, protocolos de cuidado e qualificação das equipes, visando garantir a correção das falhas e a proteção de todos os pacientes atendidos na instituição.



