Justiça autoriza retomada imediata de atendimentos de emergência em hospital de Ribeirão Preto
A Justiça de Ribeirão Preto autorizou na sexta-feira, 13 de setembro, a retomada imediata dos atendimentos de urgência e emergência em uma ala provisória do Hospital Beneficência Portuguesa. A decisão ocorre após um bloqueio judicial na ala originalmente dedicada a esses serviços, determinado pelo Ministério Público devido a problemas graves e persistentes no acolhimento de pacientes pelo Sistema Único de Saúde.
Condições impostas pela Justiça para a retomada dos serviços
Na sentença, a juíza Lucilene Aparecida Canella de Mello informou que tanto o Ministério Público quanto a Vigilância Sanitária aprovaram as condições das instalações provisórias. No entanto, a magistrada ressaltou que o Hospital Beneficência Portuguesa deve prosseguir com todas as adequações e obras definitivas solicitadas pela Promotoria na área que foi suspensa.
A decisão judicial incluiu uma ressalva crucial: a instituição hospitalar deve garantir a climatização ideal para todos os pacientes, sob pena de cancelamento imediato dos efeitos dessa autorização. "Sem prejuízo, acolho o pedido do Ministério Público para determinar à Sociedade Portuguesa de Beneficência que, no prazo de 10 dias, comprove a completa instalação e funcionamento dos equipamentos de ar-condicionado no setor, sob pena de revogação da presente autorização", determinou a juíza em sua sentença.
Contexto do bloqueio e impactos no sistema de saúde
Por decisão judicial no final de janeiro, a Prefeitura de Ribeirão Preto e o governo do estado de São Paulo foram proibidos de transferir pacientes para a urgência e emergência do Hospital Beneficência Portuguesa. Essa medida foi uma resposta direta a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público, que apontou diversas falhas graves no atendimento:
- Ausência de enfermeiros em períodos críticos
- Superlotação constante das instalações
- Pacientes mantidos em macas nos corredores por falta de leitos
- Diferença significativa entre o setor destinado a convênios particulares e o setor do SUS, com condições inferiores para pacientes do sistema público
Sobrecarga em outros hospitais da região
Mesmo com medidas emergenciais anunciadas pela prefeitura, como mudanças na regulação de pacientes e abertura de leitos temporários, outros hospitais da região sentiram imediatamente a sobrecarga. A Santa Casa de Ribeirão Preto registrou um aumento de aproximadamente 30% na demanda por atendimentos de emergência em apenas dez dias, situação que deixou pacientes graves aguardando por internação em condições precárias.
Testemunhos de mães revelam a dimensão do problema: diversas mulheres relataram ter ficado dias inteiros à espera de vagas no sistema de saúde de Ribeirão Preto, enquanto pacientes com condições graves como AVC e apendicite enfrentavam filas intermináveis nas unidades de emergência sobrecarregadas.
Medidas anunciadas e perspectivas futuras
A prefeitura de Ribeirão Preto anunciou a criação de uma nova unidade para receber pacientes após a suspensão dos atendimentos de emergência na Beneficência Portuguesa. No entanto, especialistas em saúde pública alertam que o sistema municipal continua operando no limite de sua capacidade, com risco real de colapso caso novas interrupções ocorram.
Os hospitais da região emitiram alertas formais sobre o risco de superlotação generalizada, especialmente considerando que a retomada dos atendimentos na Beneficência Portuguesa ocorrerá em condições provisórias e com prazos rigorosos para adequação das instalações.
A situação em Ribeirão Preto reflete desafios estruturais mais amplos do sistema de saúde brasileiro, onde a pressão sobre os serviços públicos de emergência tem aumentado consistentemente nos últimos anos, exigindo investimentos significativos em infraestrutura e recursos humanos.



