Insônia afeta quase um terço dos adultos no Distrito Federal, aponta estudo epidemiológico
As férias podem ter terminado, mas a necessidade de descanso adequado permanece essencial. Ajustes graduais na rotina são fundamentais para ajudar o organismo a retomar um ritmo regular de sono, especialmente diante dos dados alarmantes divulgados pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).
Prevalência da insônia no DF segue média nacional
Segundo o Informativo Epidemiológico sobre hábitos de vida divulgado pela SES-DF, 31,1% dos adultos relataram ao menos um sintoma de insônia no Distrito Federal em 2024. Esse percentual se aproxima da média brasileira, que é de 31,7%, conforme dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde.
Mulheres são as mais afetadas pelos distúrbios do sono
O estudo revela uma disparidade significativa entre os gêneros. Entre as mulheres, 38,1% relataram sintomas de insônia, enquanto entre os homens esse índice foi de 23,1%. Além da insônia, o levantamento também registrou que 20% dos adultos do DF sofrem com duração de sono curta, dormindo menos de 6 horas por noite. Nesse recorte, as mulheres novamente apresentam maior percentual (21,7%) em comparação aos homens (18%).
Consequências graves da privação crônica de sono
De acordo com o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, a privação crônica de sono é um problema de saúde pública com sérias implicações. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que dormir mal aumenta o risco de doenças na população das Américas. Espíndola destaca que dormir menos de 6 horas por noite aumenta significativamente o risco de:
- Hipertensão arterial
- Arritmias cardíacas
- Infarto do miocárdio
- Acidente vascular cerebral
Além disso, a falta de sono desregula hormônios como leptina e grelina, responsáveis pela saciedade e fome, respectivamente. Isso favorece ganho de peso, resistência à insulina e aumenta o risco de diabetes tipo 2 em até 30%. A insônia crônica também eleva em 2-3 vezes o risco de desenvolver depressão e transtornos de ansiedade.
Impacto na cognição e segurança
"A privação crônica prejudica concentração, raciocínio, tomada de decisões e aumenta o risco de acidentes de trabalho e trânsito", alerta Espíndola. Estudos demonstram que dirigir com sono equivale a dirigir alcoolizado em termos de reflexos, tornando esse um problema de segurança pública que vai além da saúde individual.
Hábitos essenciais para melhorar a qualidade do sono
Victor Hugo Espíndola recomenda algumas práticas fundamentais para quem busca noites mais reparadoras:
- Regularidade nos horários: manter horários consistentes para dormir e acordar
- Higiene do ambiente: quarto escuro, silencioso e com temperatura entre 18-21 °C
- Restrição de estimulantes: evitar cafeína após às 14h, nicotina e álcool próximo ao horário de dormir
- Gestão da exposição à luz: reduzir exposição a telas 1-2 horas antes de dormir
- Atividade física regular: exercícios aeróbicos melhoram o sono, mas não ao horário de dormir
- Rotina de relaxamento: ritual pré-sono de 30-60 minutos com leitura, meditação ou banho morno
Os dados do Vigitel, que abrangem as 26 capitais brasileiras e o Distrito Federal, reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas para a educação sobre higiene do sono e o tratamento adequado dos distúrbios do sono. A insônia não é apenas um incômodo pessoal, mas um problema de saúde coletiva que demanda atenção tanto dos indivíduos quanto das autoridades sanitárias.