Idoso sofre traumatismo craniano após queda em hospital de Campinas e segue internado na UTI
A família de João Teixeira, de 78 anos, está em estado de choque após o idoso sofrer um grave traumatismo craniano durante sua internação no Hospital Mário Gatti, em Campinas, no interior de São Paulo. Segundo relatos das netas, o acidente ocorreu enquanto o paciente aguardava por uma cirurgia de vesícula biliar, no início de janeiro.
Queda durante espera por cirurgia
De acordo com Letícia Paliota e Thamires Teixeira, netas do idoso, João estava lúcido e consciente ao ser internado no dia 3 de janeiro. No entanto, após uma queda de uma maca, ele precisou ser submetido a uma cirurgia craniana de emergência e permanece desacordado desde então. A Secretaria de Saúde de Campinas confirmou que abriu uma investigação interna sobre o caso e que o paciente segue internado na Unidade de Terapia Intensiva, recebendo todo o suporte necessário.
Longa jornada até o diagnóstico
O atendimento médico de João Teixeira começou ainda no fim de dezembro, no Hospital Ouro Verde, também localizado em Campinas. Ele apresentava episódios recorrentes de dor abdominal intensa, mas, segundo a família, após várias idas ao pronto-socorro, não conseguiu realizar um exame de ultrassom na unidade pública.
Diante da persistência das dores, a família optou por pagar por um exame particular, que identificou uma inflamação na vesícula biliar, exigindo cirurgia imediata. Foi então que o idoso foi encaminhado ao Hospital Mário Gatti.
Internação sem acompanhante e falta de comunicação
No Hospital Mário Gatti, devido à falta de leitos, João foi direcionado para uma ala onde acompanhantes não são permitidos. As netas afirmam que insistiram para ficar com o avô, mas foram impedidas pela equipe do hospital. Elas também relataram que o idoso não pôde ficar com seu celular, o que dificultou ainda mais o contato com a família durante a internação.
A queda só foi comunicada à família no dia 6 de janeiro, quando João já estava em cirurgia. As netas descobriram informações conflitantes nos prontuários médico e de enfermagem:
- O prontuário médico indicava que a queda ocorreu por volta de 1h do dia 6, com a equipe sendo acionada apenas às 6h.
- Já o prontuário de enfermagem registrava a queda no dia anterior, 5 de janeiro, entre 19h30 e 20h.
Essas divergências levantaram suspeitas sobre uma possível demora no socorro ao idoso. A família chegou a registrar um boletim de ocorrência no dia 11 de janeiro, alegando negligência no atendimento.
Estado de saúde grave e incertezas
Após a cirurgia craniana, João Teixeira não recuperou a consciência. Segundo Thamires, o eletroencefalograma mostrou pouca atividade cerebral. Atualmente, o idoso permanece na UTI, dependendo de ventilação mecânica e com uma traqueostomia. A família vive um momento de grande angústia, sem perspectivas sobre uma possível recuperação.
Posicionamento do hospital e investigação em andamento
Em nota oficial, a Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar informou que o caso foi encaminhado para as comissões de ética médica e de enfermagem. O objetivo é apurar eventuais falhas e determinar responsabilidades. A instituição reiterou que, conforme seus protocolos, acompanhantes não são permitidos no Pronto-Socorro e na UTI, sendo autorizados apenas no momento das visitas.
Quanto ao atendimento inicial no Hospital Ouro Verde, a rede afirmou que o aparelho de ultrassom está funcionando normalmente e que aguarda mais detalhes sobre o caso para uma averiguação completa.
Enquanto a investigação segue seu curso, a família de João Teixeira aguarda por respostas e clama por justiça, esperando que incidentes como este não se repitam com outros pacientes em situação de vulnerabilidade.