Promessas de hospitais no Distrito Federal não saem do papel; funcionários denunciam superlotação e falta de estrutura
Nenhum dos cinco hospitais prometidos pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) para o seu segundo mandato vai sair do papel, conforme confirmado pela Secretaria de Saúde do DF ao g1. A situação revela um cenário preocupante para a saúde pública na capital federal, com obras paralisadas e projetos ainda em fase inicial, enquanto funcionários denunciam superlotação e falta de estrutura em unidades existentes, como o Hospital do Gama.
Promessas não cumpridas e atrasos nas obras
Após a reeleição em 2022, o governador afirmou em entrevista à TV Globo que seriam entregues três novos hospitais regionais em dois anos: Recanto das Emas, São Sebastião e Guará. Posteriormente, em outras declarações, prometeu também um novo hospital regional no Gama. No plano de governo, constava ainda a construção do Hospital Oncológico de Brasília Jofran Frejat, que segundo o documento já teria começado.
No entanto, a realidade mostra um quadro completamente diferente. Segundo a Secretaria de Saúde, o custo total dos cinco hospitais ultrapassa R$ 1,2 bilhão. Se construídos, eles representariam 704 novos leitos para a rede pública, um alívio significativo para um sistema que enfrenta constantes desafios.
Situação detalhada de cada hospital prometido
A atual situação das obras revela um cenário de paralisia e burocracia:
- Hospital do Recanto das Emas: apenas 3,09% do projeto foi executado; o governo aguarda documentação técnica com cronograma atualizado. Valor do contrato: R$ 133,7 milhões.
- Hospital Ortopédico do Guará: apenas 2,19% do projeto concluído; também aguarda documentação técnica atualizada. Valor do contrato: R$ 174 milhões.
- Hospital de São Sebastião: obra não iniciada. Aguarda autorização da Caixa para emissão de ordem de serviço. Valor do contrato: R$ 165,9 milhões.
- Hospital Oncológico de Brasília Jofran Frejat: obra não iniciada, ainda em fase de licitação prevista para 11 de fevereiro de 2026. Valor da licitação: R$ 374,1 milhões.
- Novo Hospital Regional do Gama: obra não iniciada, em fase de elaboração da documentação técnica pela Novacap. Valor estimado: R$ 360 milhões.
Unidades Básicas de Saúde também enfrentam atrasos
A situação não é melhor quando se trata das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Entre as 18 UBSs prometidas, apenas três foram entregues no segundo mandato até o início de 2026:
- UBS Tipo 2 de Santa Maria: valor da obra de R$ 10.614.613,54.
- UBS Tipo 1 de Chapadinha, em Brazlândia: valor da obra de R$ 5.944.717,73.
- UBS Tipo 1 na Ponte Alta: valor da obra de R$ 6.140.488,72.
Apenas outras duas UBSs estão com obras em andamento: a UBS Tipo 2 no Incra 8, em Brazlândia (faltam 46,03% para conclusão) e a UBS Tipo 2 na Estrutural (faltam 73% para conclusão). Outras 19 UBSs estão em fase de licitação ou documentação técnica, mas as obras não foram iniciadas.
Unidades de Pronto Atendimento com progresso limitado
Nenhuma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) foi concluída no segundo mandato de Ibaneis até o início de 2026. As últimas entregues foram em 2021 e 2022. Atualmente, há seis UPAs em construção e uma em processo contratual, mas todas com percentuais significativos de conclusão pendentes, variando de 74% a 93,5%.
Governador admite dificuldades orçamentárias
Mesmo com a previsão de entrega de algumas obras para 2026, o governador Ibaneis Rocha afirmou em janeiro que vai "ter que manter o cinto apertado" nos gastos da Saúde neste ano. "O orçamento da Saúde não suportou todos os gastos. Estamos usando Fonte 100. Aumento do preço de insumos e desequilíbrio no contrato do IGES. Esse ano vamos ter que manter o cinto apertado", declarou o governador à TV Globo.
A fala aconteceu após questionamento sobre o atraso no repasse de verbas para o Hospital da Criança, que chegou a fechar leitos de UTI e de enfermaria em dezembro, evidenciando a crise financeira que afeta todo o sistema de saúde do Distrito Federal.
Enquanto as promessas não se concretizam, a população continua dependendo de uma infraestrutura de saúde insuficiente, com funcionários denunciando condições precárias de trabalho e pacientes enfrentando longas esperas por atendimento adequado.



