O herpes-zóster, doença marcada pela reativação do vírus da catapora, está em ascensão alarmante na região de Piracicaba, no interior de São Paulo. Dados recentes divulgados pelo governo estadual ao g1 revelam um crescimento exponencial nos atendimentos ambulatoriais e hospitalares relacionados à condição nos últimos cinco anos.
Aumento preocupante nos registros
As notificações saltaram de 124 registros de atendimentos clínicos em todo o ano de 2020 para impressionantes 992 casos entre janeiro e outubro de 2025. As internações por herpes-zóster na região também cresceram no mesmo período, passando de nove para 14 hospitalizações. Esse aumento reflete uma tendência preocupante que demanda atenção das autoridades de saúde e da população.
Mudança no perfil dos pacientes
Embora tradicionalmente mais comum em pessoas com mais de 50 anos, o herpes-zóster tem sido registrado com frequência crescente em pacientes mais jovens. O médico infectologista Tufi Chalita destaca essa mudança demográfica, atribuindo-a aos desafios da vida moderna.
"Doença que vem com a modernidade. Passamos a ver um número muito importante de jovens como casos de herpes, às vezes, bastante intensos. Coisa que não se via antes. Isso é a questão da vida moderna", explica o especialista.
O que é o herpes-zóster?
O herpes-zóster é uma doença infecciosa causada pelo vírus da varicela ou catapora. Geralmente adquirido na infância, quando a maioria dos brasileiros manifesta as feridas clássicas da catapora, o vírus pode permanecer dormente no organismo por anos e reativar-se em qualquer fase da vida.
Quando desperta, o vírus provoca o surgimento de dolorosas bolhas pelo corpo, seguindo o trajeto das fibras nervosas onde estava alojado. Essa reativação ocorre frequentemente quando há queda na imunidade, seja por fatores físicos ou emocionais.
Sintomas e complicações
Pacientes com herpes-zóster experimentam dor intensa, muitas vezes descrita como queimação ou choques elétricos. As lesões causam desconforto e coceira significativos. Os sintomas normalmente incluem dores com sensação de ardência, choque, calor ou ferroada em determinadas regiões do corpo.
A complicação mais grave se chama neuralgia crônica, que pode persistir por meses ou anos, diminuindo drasticamente a qualidade de vida. Existe ainda a possibilidade, felizmente remota, de o vírus acometer o sistema nervoso central, desenvolvendo encefalite - uma infecção cerebral que pode ser fatal.
Fatores desencadeadores
Em muitos casos, a herpes-zóster pode ser desencadeada por estresse elevado que, ao baixar a imunidade do paciente, provoca lesões na pele e dores intensas. Além dos sintomas físicos, a condição pode levar a sentimentos de frustração, ansiedade e isolamento social devido à dor prolongada.
Transmissão e prevenção
O herpes-zóster não é transmitido diretamente de uma pessoa para outra como o herpes genital. Porém, indivíduos que nunca tiveram catapora ou não tomaram a vacina podem contrair a doença ao ter contato direto com as lesões ativas de alguém infectado - desenvolvendo, nesse caso, catapora e não herpes-zóster.
Existe vacina contra o herpes-zóster, mas ela está disponível apenas na rede privada de saúde. O imunizante pode reduzir significativamente o risco de desenvolver a doença e, se ocorrer, tende a apresentar sintomas mais brandos. O preço pode chegar a R$ 1,6 mil, representando um obstáculo financeiro para muitos brasileiros.
Tratamento disponível
O tratamento do herpes-zóster inclui antivirais (como o aciclovir), analgésicos e medicamentos para controle da dor. Os especialistas recomendam iniciar o tratamento nas primeiras 72 horas após o surgimento das lesões, para reduzir a duração dos sintomas e minimizar o risco de complicações graves.
Vacina no SUS
Recentemente, o Sistema Único de Saúde (SUS) decidiu não incorporar a vacina contra herpes-zóster, doença popularmente conhecida como cobreiro. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União em 12 de janeiro e se refere ao imunizante recombinante adjuvado, avaliado para uso em idosos com 80 anos ou mais e em pessoas imunocomprometidas a partir de 18 anos.
A conclusão foi tomada após análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão responsável por avaliar evidências científicas, impacto orçamentário e custo-efetividade de medicamentos, vacinas e procedimentos antes de sua eventual oferta na rede pública.
O aumento expressivo dos casos em Piracicaba serve como alerta para outras regiões do país, destacando a importância de medidas preventivas e do acompanhamento médico adequado para quem apresenta os primeiros sintomas da doença.