Hepatite A dispara em Juiz de Fora: 331 casos em 3 meses superam década anterior
Hepatite A explode em Juiz de Fora com 331 casos em 3 meses

Hepatite A dispara em Juiz de Fora: 331 casos em 3 meses superam década anterior

A cidade de Juiz de Fora enfrenta uma situação epidemiológica alarmante com o aumento explosivo de casos de hepatite A. Entre janeiro e março de 2026, foram confirmados 331 casos da doença, um número que supera o total acumulado registrado na cidade durante toda a última década, entre 2016 e 2025.

Cenário epidemiológico preocupante

De acordo com dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde, o crescimento representa um aumento de 819,4% em relação a todo o ano de 2025, quando foram registrados apenas 36 casos. Em anos anteriores, como 2021 e 2022, o município não teve nenhum registro da doença, o que torna a situação atual ainda mais preocupante.

O cenário atual é classificado pelas autoridades sanitárias como um "aumento no número de casos", mas ainda não há caracterização oficial de surto. A Subsecretaria de Vigilância em Saúde emitiu nota esclarecendo que, com base na análise epidemiológica, não existem evidências de relação entre a alta de casos e as fortes chuvas que atingiram a região em fevereiro.

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Perfil dos pacientes e principais causas

Os dados extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) em 27 de março revelam detalhes importantes sobre o perfil dos infectados:

  • Sexo e idade: 63,2% dos infectados são homens, com maior predominância nas faixas etárias de 20 a 24 anos e de 35 a 39 anos.
  • Causas principais: A principal fonte de infecção identificada é o consumo de água ou alimentos contaminados, responsável por 98 casos confirmados.
  • Distribuição geográfica: A região central da cidade concentra o maior volume de notificações (91 casos), seguida pelas regiões Sul (63) e Leste (56). Os bairros com mais registros são Centro (28 casos), São Mateus (27) e Cacatinha (24).

A Secretaria de Saúde classificou todos os registros como casos agudos, indicando que as infecções são recentes e ativas.

Medidas de contenção implementadas

Para conter o avanço da doença, o município informou que intensificou várias medidas preventivas:

  1. Oferta ampliada de testagem e investigação de casos confirmados
  2. Distribuição de hipoclorito de sódio para tratamento da água
  3. Inspeções sanitárias em estabelecimentos comerciais
  4. Orientações sobre higiene e manipulação adequada de alimentos

Entendendo a hepatite A

A hepatite A é uma infecção viral transmitida principalmente por via fecal-oral, associada a más condições de higiene e saneamento básico, ou através de contato sexual. A doença pode levar de 15 a 50 dias para manifestar sintomas após o contato com o vírus.

Os sintomas mais comuns aparecem de forma súbita e incluem:

  • Pele e parte branca dos olhos amareladas (icterícia)
  • Urina escura (cor de café) e fezes esbranquiçadas
  • Cansaço excessivo, tontura, enjoo e vômitos
  • Dor abdominal e febre baixa

Ao perceber esses sinais, a recomendação é procurar imediatamente uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou UPA para diagnóstico e acompanhamento adequado.

Prevenção: a chave para frear o avanço

Como a maioria dos casos atuais em Juiz de Fora atinge adultos entre 30 e 39 anos - grupo que geralmente não está no público-alvo da vacinação gratuita - a prevenção depende diretamente de mudanças de hábito:

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  • Higiene das mãos: Lavar sempre após usar o banheiro, trocar fraldas e antes de cozinhar
  • Alimentos crus: Lavar frutas e verduras com água tratada e deixar de molho em solução de hipoclorito de sódio
  • Frutos do mar: Evitar o consumo de mariscos ou peixes crus de procedência desconhecida
  • Água: Consumir apenas água filtrada, fervida ou mineral
  • Utensílios: Lavar bem pratos, talheres e copos, evitando o compartilhamento se houver alguém doente em casa

Vacinação no SUS

A vacina contra a hepatite A faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para crianças de 15 meses até 5 anos incompletos. Para adultos fora do grupo de risco ou que não possuem doenças crônicas no fígado, a vacina não é ofertada na rede pública, reforçando a necessidade dos cuidados com a higiene dos alimentos para frear o avanço da doença na cidade.

A situação em Juiz de Fora serve como alerta sanitário para toda a população sobre a importância de medidas básicas de prevenção, especialmente em um contexto onde a maioria dos infectados são adultos que não têm acesso à vacinação gratuita. As autoridades de saúde continuam monitorando a situação e intensificando as ações de controle para evitar que os números continuem crescendo nos próximos meses.