Serviço de hemodiálise é retomado em Assu após tragédia em Mossoró
O governo do Rio Grande do Norte retomou nesta sexta-feira, 2 de fevereiro, os serviços de hemodiálise no município de Assu para pacientes estaduais. A medida emergencial ocorre após a interdição da clínica em Mossoró onde duas pessoas morreram na última terça-feira, 27 de janeiro, e uma terceira paciente faleceu no dia seguinte.
Contexto das mortes e investigações
As pacientes Raquel Ferreira da Silva Cabral, de 54 anos, e Iraci Inácio de Lima, de 75 anos, faleceram dentro da clínica de Mossoró. Uma terceira paciente, Marivânia Freire Mendonça, de 36 anos, que era renal crônica, não conseguiu realizar o tratamento no dia da interdição, teve piora no quadro e morreu após ser levada ao hospital.
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e pela Vigilância Sanitária do Rio Grande do Norte. A Polícia Científica realizou perícia no local e recolheu um filtro com material biológico de uma das pacientes para análise de possível contaminação. O Conselho Regional de Medicina do RN também realizou vistoria e coletará dados para um relatório técnico.
Nova estrutura em Assu recebe pacientes
A Secretaria de Estado da Saúde Pública contratou emergencialmente uma nova clínica localizada em Assu para receber pouco mais de 130 pacientes da região. A unidade já recebeu alvarás do município e do estado, além de estar habilitada pelo Ministério da Saúde.
"A medida emergencial vai proporcionar um atendimento mais ágil para os pacientes do Vale do Açu, que anteriormente estavam se deslocando para Mossoró e, após o incidente registrado no mês passado, em alguns casos indo até Caicó", explicou a Sesap em nota oficial.
Histórico do serviço em Assu
O serviço de hemodiálise em Assu havia sido fechado há pouco mais de dois anos devido a um incêndio na antiga clínica, ocorrido em dezembro de 2023. A retomada agora representa um alívio para os pacientes que precisavam se deslocar para outras cidades para realizar o tratamento essencial.
Situação da clínica interditada em Mossoró
O Centro de Diálise de Mossoró atendia 224 pacientes, sendo 208 pelo Sistema Único de Saúde e 16 por convênios particulares. Após a interdição, todos os pacientes foram realocados emergencialmente em clínicas de Mossoró, Caicó e Natal.
A Sesap determinou a interdição da unidade "até que os fatos sejam apurados e a segurança dos pacientes garantida". Em comunicado, o Centro de Diálise informou que o equipamento responsável pelo sistema de osmose apresentou uma intercorrência técnica que comprometeu seu funcionamento.
"Diante dessa situação, e em estrita observância aos protocolos de segurança assistencial, foi necessária a paralisação temporária das atividades, como medida preventiva para garantir a integridade e o bem-estar de nossos pacientes", afirmou a direção da clínica.
Medidas de controle de qualidade
Sobre possíveis questões de contaminação da água, o Centro de Diálise de Mossoró informou que adota rigorosos padrões de controle de qualidade, realizando análises laboratoriais diárias por profissionais bioquímicos qualificados e monitoramento mensal por laboratório terceirizado.
Segundo a clínica, todos os laudos são encaminhados mensalmente à Vigilância Sanitária, atendendo integralmente às normas vigentes. A unidade onde ocorreram os atendimentos passa por obras de revestimento de corredores devido à presença de salitre, mas segundo a Vigilância Sanitária de Mossoró, não há intervenções nas salas onde são realizados os procedimentos de diálise.
A terceira morte, que não ocorreu dentro da clínica, não foi incluída na investigação policial do caso, mas representa mais uma tragédia relacionada à interrupção dos serviços de hemodiálise na região.



