O Ministério da Saúde da França anunciou nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, que está conduzindo uma investigação sobre a possível ligação entre a morte de dois bebês e o consumo de fórmulas infantis da Nestlé. As marcas Guigoz e Nidal foram retiradas preventivamente das prateleiras no início do mês devido à suspeita de contaminação pela bactéria Bacillus cereus, que pode causar desde vômitos e diarreias até quadros mais graves, como infecções generalizadas que podem levar ao óbito.
Detalhes dos casos investigados
As mortes ocorreram nas cidades de Angers e Pessac, levantando preocupações sobre a segurança alimentar de produtos infantis. Em um comunicado oficial, o ministério ressaltou que, até o momento, não há comprovação científica de uma relação causal direta entre as fórmulas e os óbitos, mas análises adicionais e investigações judiciais estão em andamento para esclarecer os fatos.
Primeiro caso: bebê de 13 dias
Segundo Renaud Gaudeul, procurador de Bordeaux, um bebê de 13 dias faleceu após consumir a fórmula Guigoz entre os dias 5 e 7 de janeiro. A criança foi levada ao hospital no dia 7 com problemas digestivos, mas não resistiu. As primeiras análises não detectaram contaminação pela bactéria, porém, novos testes foram solicitados para aprofundar as investigações.
Segundo caso: bebê de 27 dias
O outro caso envolve um bebê de 27 dias que morreu em 23 de dezembro, também após ser alimentado com a fórmula Guigoz, conforme informado por Eric Brouillard, promotor de Angers. Esses incidentes destacam a urgência em identificar a origem da contaminação e prevenir novos riscos à saúde infantil.
Investigações em andamento e origem da contaminação
Além desses dois casos, outras investigações relacionadas às fórmulas infantis estão em progresso. O Ministério da Agricultura francês indicou que os resultados de um primeiro inquérito judicial são esperados nos próximos 10 dias. Até agora, as análises preliminares apontaram que a contaminação pode ter origem em um óleo rico em ácido araquidônico (ARA), produzido por um fornecedor chinês.
Em resposta às acusações, a Nestlé emitiu uma nota à agência Reuters, afirmando que, conforme declarado pelas autoridades, nada indica até o momento qualquer ligação entre esses eventos trágicos e o consumo de seus produtos. A empresa reiterou seu compromisso com a segurança e qualidade de seus itens.
Contexto mais amplo e recalls no setor
Este caso não está isolado no cenário global de segurança alimentar. A francesa Lactalis, maior grupo de laticínios do mundo, também recolheu produtos lácteos infantis em 18 países recentemente, enquanto a Danone, outro gigante francês, anunciou recalls semelhantes. Essas ações refletem uma crescente vigilância e regulação no setor de alimentos infantis, visando proteger consumidores vulneráveis, como bebês.
As autoridades de saúde continuam a monitorar a situação de perto, enfatizando a importância de seguir as orientações de recall e reportar quaisquer sintomas adversos em crianças que tenham consumido esses produtos. A investigação segue em andamento para determinar as causas exatas das mortes e implementar medidas preventivas futuras.