Fibromialgia: Atendimentos crescem 35,4% no SUS de São Paulo e doença é reconhecida como deficiência
Fibromialgia: Atendimentos crescem 35,4% no SUS de SP

Fibromialgia registra aumento de 35,4% em procedimentos no estado de São Paulo

Os procedimentos clínicos ambulatoriais para fibromialgia apresentaram crescimento expressivo no estado de São Paulo, com destaque para as regiões de Piracicaba e Campinas. Segundo dados oficiais da Secretaria de Saúde do Estado, o aumento geral foi de 35,4% nos atendimentos relacionados a essa condição crônica no Sistema Único de Saúde (SUS).

Aumento significativo na região de Piracicaba

Na região administrativa de Piracicaba, que abrange 26 municípios, os números revelam crescimento consistente. Em 2024, foram registrados 1.552 atendimentos clínicos para fibromialgia, enquanto em 2025 esse número subiu para 1.676 procedimentos. Essa elevação representa uma alta de 7,6% em apenas um ano, acompanhando a tendência estadual.

Desde dezembro de 2024, Piracicaba reconhece oficialmente a fibromialgia como deficiência, um marco importante para os pacientes locais. A doença, conforme explica a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), caracteriza-se por dor muscular generalizada, fadiga extrema, distúrbios do sono e diversos outros sintomas que impactam significativamente a qualidade de vida.

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Campinas apresenta crescimento ainda mais expressivo

Na região de Campinas, os números são ainda mais impactantes. Os atendimentos ambulatoriais aumentaram impressionantes 33,5% em 2025, saltando de 1.782 procedimentos em 2024 para 2.379 no ano seguinte. Esse crescimento supera a média estadual e demonstra a crescente demanda por serviços de saúde especializados.

Luciana de Oliveira, que convive com a fibromialgia há 15 anos, descreve a realidade dos pacientes: "A fibromialgia, a dor, ela não fica só no braço. Ela anda pelo corpo, é uma dor muito tensa. Nem com o efeito dos remédios não fizeram, não dormi. Devido à dor, tive que ir um postinho". Seu relato ilustra os desafios diários enfrentados por quem sofre com essa condição.

Reconhecimento como deficiência traz novos direitos

Um desenvolvimento crucial ocorreu com a sanção da Lei 15.176/2025, que passou a reconhecer a fibromialgia como deficiência em âmbito nacional. Essa mudança legal tem implicações profundas para os pacientes, conforme explica o médico especialista em tratamento da dor, Fabrício Assis.

Com o novo status jurídico, pacientes agora têm acesso a políticas públicas específicas, incluindo cotas em concursos públicos, isenções fiscais, benefícios previdenciários e assistenciais. Em Limeira, a Câmara Municipal aprovou projeto que assegura direitos adicionais e cria carteira de identificação para pessoas com fibromialgia.

Vanessa Marquiori, auxiliar de enfermagem que convive com a doença há anos, compartilha sua experiência: "Na época eu trabalhava como telemarketing, então eu achei que fosse de trabalhar digitando. Hoje eu tomo três medicações, mas mesmo assim a dor é constante. Tem dias bons, tem dias ruins, tem dias mais ruins ainda, mas a gente aprende a conviver".

Impacto no sistema de saúde e desafios diagnósticos

O estado de São Paulo registrou mais de 38 mil procedimentos relacionados à fibromialgia no SUS, com aumento superior a 30% em relação a 2024. A SBR estima que aproximadamente 3% da população brasileira sofre com essa condição, o que representa milhões de pessoas em todo o país.

O Dr. Fabrício Assis alerta para os desafios diagnósticos: "Muitos pacientes chegam aqui às vezes com diagnóstico porque não foram investigados de uma maneira correta. Quando a gente faz uma investigação mais profunda, acaba descobrindo principalmente doenças reumatológicas". Ele menciona ainda que o uso crônico de medicações contra o colesterol pode causar dores pelo corpo, confundindo o diagnóstico.

Com o reconhecimento como deficiência, espera-se que mais pacientes busquem atendimento adequado e tenham acesso aos benefícios legais. As regiões de Piracicaba e Campinas servem como exemplos da crescente conscientização sobre essa condição que afeta significativamente a vida de milhões de brasileiros.

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