Fibromialgia: Atendimentos no SUS crescem 35,4% em São Paulo; Campinas registra alta de 33,5%
Fibromialgia: Atendimentos crescem 35,4% no SUS de São Paulo

Fibromialgia: Atendimentos no SUS crescem 35,4% em São Paulo; Campinas registra alta de 33,5%

Os procedimentos clínicos ambulatoriais para fibromialgia apresentaram um aumento significativo de 33,5% na região de Campinas durante o ano de 2025. Os dados revelam que foram realizados 2.379 atendimentos no período, um crescimento expressivo em comparação com os 1.782 registrados no ano anterior, em 2024.

Esses números acompanham a média estadual de São Paulo, que contabilizou mais de 38 mil procedimentos relacionados à doença no Sistema Único de Saúde (SUS). Em relação a 2024, o aumento também ultrapassou a marca de 30%, demonstrando uma tendência de crescimento nos atendimentos em todo o estado.

O que é a fibromialgia e seus impactos na população

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a fibromialgia é uma doença que provoca dor generalizada em todo o corpo, com ênfase nos músculos e tendões. A síndrome também está associada a uma série de outros sintomas debilitantes, incluindo:

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  • Fadiga constante e cansaço excessivo
  • Distúrbios significativos do sono
  • Ansiedade e quadros depressivos
  • Alterações na memória e na capacidade de atenção

Estima-se que aproximadamente 3% da população brasileira conviva com essa condição crônica, o que representa milhões de pessoas afetadas em todo o país.

Relatos de pacientes: convivendo com a dor diária

Luciana de Oliveira, que convive com a fibromialgia há 15 anos, descreve a experiência como desafiante. "A fibromialgia, a dor, ela não fica só no braço. Ela anda pelo corpo, é uma dor muito tensa. Essa noite eu não dormi. Nem com o efeito dos remédios não fizeram, não dormi. Devido à dor, tive que ir um postinho. Tomei até a injeção hoje", relata a paciente.

Vanessa Marquiori, auxiliar de enfermagem, compartilha sua jornada com a doença. "Na época eu trabalhava como telemarketing, então eu achei que fosse de trabalhar digitando, porque eu trabalhava seis horas digitando e eu achei que era por causa disso. Hoje eu tomo três medicações, mas mesmo assim a dor é constante", explica. Ela complementa: "Tem dias bons, tem dias ruins, tem dias mais ruins ainda, mas a gente aprende a conviver".

Reconhecimento como deficiência e impactos no diagnóstico

Desde janeiro de 2025, a legislação brasileira passou a reconhecer oficialmente a fibromialgia como deficiência, através da Lei 15.176/2025. Essa mudança legal permite que pacientes tenham acesso a políticas públicas específicas para pessoas com deficiência, incluindo:

  1. Cotas em concursos públicos
  2. Isenções fiscais em diversas esferas
  3. Benefícios previdenciários e assistenciais

De acordo com o médico especialista em tratamento da dor, Fabrício Assis, esse reconhecimento pode ajudar a explicar parte do aumento na procura por atestados e relatórios médicos. No entanto, ele também alerta para casos de diagnósticos equivocados: "Muitos pacientes chegam aqui às vezes com diagnóstico porque não foram investigados de uma maneira correta e quando a gente faz uma investigação mais profunda a gente acaba descobrindo principalmente doenças reumatológicas, o uso também crônico de medicações contra o colesterol pode dar dor pelo corpo".

O crescimento nos atendimentos para fibromialgia no SUS reflete tanto o aumento na conscientização sobre a doença quanto as mudanças legais que ampliaram os direitos dos pacientes. A condição, que afeta significativamente a qualidade de vida de milhões de brasileiros, continua sendo um desafio para o sistema de saúde e para os próprios pacientes que aprendem a conviver com a dor crônica.

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