Disputa por extensão de patente do Ozempic pode atrasar chegada de genéricos no Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou que deve divulgar na próxima semana a resposta sobre os pedidos de registro das versões nacionais das canetas à base de semaglutida, princípio ativo do medicamento Ozempic. Os pedidos em análise são das farmacêuticas EMS e Ávita Care, que buscam autorização para produzir e comercializar alternativas ao produto original.
Fim da patente e disputa judicial
A patente da semaglutida, substância desenvolvida pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, perde a validade no Brasil no dia 20 de março. A empresa tentou recorrer à Justiça para estender o prazo de exclusividade, mas teve o pedido negado. Com o fim da patente, outras farmacêuticas passam a poder produzir e comercializar medicamentos à base de semaglutida no país, desde que obtenham aprovação regulatória da Anvisa.
Ainda no ano passado, o Ministério da Saúde pediu que a agência desse prioridade para a avaliação de canetas nacionais, resultado que começa a aparecer nas próximas semanas. No entanto, não há garantia de aprovação imediata — a Anvisa pode solicitar informações complementares às empresas antes de conceder o aval definitivo.
Impacto no mercado e expectativas de preço
Especialistas avaliam que, com a entrada de versões nacionais no mercado, a tendência é de redução nos preços, impulsionada pelo aumento da concorrência. No entanto, essa queda não deve ocorrer de forma imediata. No caso da EMS, a empresa informou que já possui estrutura industrial preparada para fabricar medicamentos dessa classe, mas ainda não há cronograma definido para lançamento, nem detalhes sobre o produto ou a política de preços.
Segundo a farmacêutica, qualquer avanço depende exclusivamente da etapa regulatória. A EMS é, até o momento, o único laboratório nacional que já lançou canetas injetáveis para emagrecimento de geração anterior, à base de liraglutida.
Contexto do Ozempic e uso no Brasil
O Ozempic é uma caneta emagrecedora usada no tratamento contra diabetes e obesidade, que ganhou popularidade nos últimos anos. Com a possível entrada de genéricos, espera-se que mais pacientes tenham acesso ao tratamento, mas o processo depende de fatores regulatórios e industriais.
A disputa pela patente e os trâmites na Anvisa são acompanhados de perto por consumidores e profissionais da saúde, que aguardam novidades sobre a disponibilidade e custo desses medicamentos no mercado brasileiro.



