Jovem internado após desodorante ficar preso no reto durante brincadeira sexual
Desodorante preso no reto leva jovem a internação hospitalar

Jovem é internado após desodorante ficar preso no reto durante atividade sexual

Um caso incomum chamou a atenção de profissionais da saúde e gerou um importante alerta sobre práticas sexuais seguras. Um paciente de 19 anos precisou ser internado em um hospital para a remoção cirúrgica de um desodorante que ficou preso em seu reto durante uma brincadeira sexual.

O relato médico e os riscos graves envolvidos

De acordo com o cirurgião coloproctologista Daniel Brosco, que atendeu o caso, o jovem contou que introduziu o desodorante no ânus como parte de uma exploração sexual. No entanto, a embalagem subiu para o reto e não pôde ser retirada em casa, necessitando de intervenção médica urgente.

"A fantasia não é um problema. O problema é não usar objetos específicos para isso", alerta o médico. "Imagina se o conteúdo da embalagem vaza ou se o objeto sobe de uma forma que exige cirurgia para retirar? Já tive pacientes que acabaram com infecções graves e morreram".

Por que objetos podem ficar presos no intestino?

Especialistas explicam que o intestino possui movimentos peristálticos, que são contrações involuntárias responsáveis pelo funcionamento do órgão. Esses movimentos, combinados com o vácuo criado em áreas como o reto, podem "sugar" objetos introduzidos, prendendo-os rapidamente.

O médico enfatiza que, em situações como essa, é fundamental buscar atendimento hospitalar imediatamente e evitar soluções caseiras, como o uso de laxantes, que podem agravar a situação ao aumentar as contrações intestinais.

Casos crescentes e a importância dos brinquedos sexuais adequados

Daniel Brosco relata que os casos de objetos presos no reto têm se tornado cada vez mais comuns. Nos últimos meses, ele já atendeu pacientes com itens como batata, partes de uma cadeira, garrafa de vidro e até mesmo plugs anais inadequados.

O médico destaca que é possível explorar a sexualidade de forma segura utilizando sex toys específicos, que possuem anatomia e materiais pensados para evitar lesões. É crucial escolher modelos com base de segurança, que impeçam a subida completa do objeto, e preferencialmente com alça ou cordão para facilitar a retirada.

"As pessoas colocam objetos estranhos porque querem explorar a sexualidade, mas têm vergonha de ir a uma sex shop procurar o acessório apropriado e acabam usando o que veem pela frente", explica Brosco. "Isso é um risco enorme, porque uma perfuração pode espalhar fezes e causar uma infecção grave, que pode levar à morte, como já vi acontecer".

Orientações para práticas sexuais anais seguras

A região anal é uma importante zona erógena, com muitas terminações nervosas, e pode ser explorada com segurança seguindo algumas recomendações:

  • Uso de lubrificantes: A área não possui lubrificação natural, portanto, o gel reduz o atrito, diminui riscos de dor e lesões, e ajuda a evitar pequenas feridas que podem facilitar a transmissão de infecções.
  • Higiene adequada: A prática conhecida como "chuca" (limpeza interna do ânus e reto) deve ser feita com cautela. É contraindicado introduzir objetos como a ducha do chuveiro, itens pontiagudos ou garrafas. Se realizada, use a menor quantidade de água possível, sem pressão, e evite a frequência excessiva para preservar a flora intestinal.
  • Moderação no uso de plugs anais: Embora o uso eventual de plugs seja seguro, é contraindicado utilizá-los como dilatadores por longos períodos. O esfíncter, responsável pela continência fecal, pode enfraquecer com o uso prolongado, levando à incontinência fecal.

Os especialistas reforçam que o sexo anal, quando praticado com cuidados, não causa problemas como hemorroidas, mas a escolha de objetos inadequados pode resultar em complicações sérias, incluindo internações e até mesmo óbitos. A busca por orientação profissional e o uso de acessórios apropriados são essenciais para uma exploração sexual segura e saudável.