Criança sobrevive a picada de jararaca em Palmas após 11 dias internada
O pequeno Asafe Pereira de Sousa, de apenas 6 anos, passou por um verdadeiro susto ao ser picado por uma jararaca na chácara da família, em Palmas, Tocantins. A espécie, altamente venenosa, exigiu que a criança ficasse internada por onze dias em tratamento intensivo. Para sua mãe, a recuperação completa do menino representa um "verdadeiro milagre", destacando os riscos crescentes de acidentes com serpentes na região.
Números alarmantes de acidentes ofídicos no estado
O Tocantins contabiliza impressionantes 1.593 registros de pessoas vítimas de picadas de serpentes desde o início de 2024. Apenas nos três primeiros meses de 2026, já foram registrados 200 novos casos, conforme levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO). Os dados detalhados mostram:
- 2024: 723 casos registrados
- 2025: 670 casos registrados
- 2026: 200 casos (entre 1º de janeiro e 31 de março)
Estes números refletem o aumento significativo do contato entre seres humanos e animais silvestres, tanto em áreas urbanas quanto rurais, um fenômeno que preocupa autoridades de saúde.
Perfil das vítimas e atendimento especializado
Conforme os dados da SES, dos 1.593 casos registrados, 1.205 vítimas eram do sexo masculino e 388 do sexo feminino. A distribuição por faixa etária revela que adultos jovens são os mais afetados:
- Menor que 1 ano: 15 casos
- 1 a 4 anos: 33 casos
- 5 a 9 anos: 84 casos
- 10 a 14 anos: 100 casos
- 15 a 19 anos: 97 casos
- 20 a 34 anos: 342 casos
- 35 a 49 anos: 400 casos
- 50 a 64 anos: 341 casos
- 65 a 79 anos: 158 casos
- Maior que 80 anos: 23 casos
Parte dos atendimentos às vítimas no estado é realizada no Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), localizado em Araguaína, no norte do estado. Em 2025, a unidade atendeu 75 vítimas de acidentes com cobras.
Espécies envolvidas e orientações médicas
De acordo com a médica Alexsandra Rossi, do HDT, a maioria dos casos atendidos no hospital foi causada por serpentes do tipo botrópico, incluindo jararaca, jararacuçu, urutu, cotiara, cruzeira e caiçara. Em seguida, aparecem os acidentes não especificados ou por outras espécies, com registros também de picadas de cascavel e das cobras conhecidas como corais verdadeiras.
"São predominantemente adultos jovens, geralmente na faixa dos 20 aos 40 anos. Em muitos casos, são pessoas em atividade laboral ou em momentos de lazer no momento do acidente", comentou a especialista.
Em caso de acidentes, a orientação é procurar atendimento médico o mais rápido possível, pois o uso precoce do soro antiofídico reduz significativamente o risco de complicações. "Sempre que possível, se for seguro, a identificação da serpente também pode ajudar, mas sem colocar ninguém em risco. Também é importante lembrar que, em nossa região, ainda existe o costume de não oferecer água ao paciente após a picada, mas a hidratação é fundamental, desde que a pessoa esteja consciente e sem dificuldade para engolir", alerta Alexsandra.
Papel ecológico das serpentes e medidas de segurança
As serpentes não têm os seres humanos como presas naturais, mas podem atacar ao se sentirem ameaçadas. A veterinária Jenniffer Rodrigues Fernandes explica que esses animais exercem um papel ecológico fundamental, principalmente no controle de populações de roedores, e por isso devem ser tratados com respeito e manejados de forma adequada.
"O correto é acionar o Batalhão Ambiental, a Polícia Ambiental ou o Corpo de Bombeiros, que são treinados para recolher esses animais com segurança. A pessoa deve apenas sinalizar o local e aguardar", explicou a veterinária.
Veja orientações importantes de segurança:
- Em caso de encontrar o animal em áreas de mata, o ideal é manter pelo menos dois metros de distância, se afastar lentamente e sem movimentos bruscos, dando espaço para que a serpente siga seu caminho.
- Ao percorrer áreas rurais também é recomendado usar botas de cano alto e caneleiras para prevenir acidentes.
- Quando o que é encontrado é um ninho com filhotes, o cuidado deve ser ainda maior. A orientação é não se aproximar, não tocar nos filhotes e evitar qualquer tentativa de remoção.
- Caso a serpente entre em uma residência, o procedimento recomendado é isolar o cômodo e manter portas fechadas, além de retirar pessoas e animais domésticos e manter vigilância do local onde o animal está, sem se aproximar.
- Caso não seja possível observar o animal sem ficar muito perto dele, por exemplo, em cômodos pequenos, locais com móveis apertados ou espaços onde a serpente possa estar parcialmente escondida, a orientação é se afastar imediatamente e aguardar do lado de fora, mantendo o local isolado.
O aumento dos casos no Tocantins serve como alerta para a necessidade de maior conscientização sobre a convivência segura com a fauna silvestre e a importância do atendimento médico imediato em situações de acidentes ofídicos.



