Coqueluche causa mortes de crianças Yanomami em Roraima; casos sob investigação
Pelo menos três crianças da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, faleceram após serem diagnosticadas com coqueluche, uma infecção respiratória altamente contagiosa. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (18) pelo Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y), que registrou oito casos da doença na região do polo base de Surucucu. No entanto, a Urihi Associação Yanomami, uma das mais representativas do povo Yanomami, contesta os números oficiais e afirma que o total de mortes chegou a cinco crianças.
Detalhes das mortes e resposta das autoridades
As mortes ocorreram em comunidades Yanomami, incluindo Yarima, Parima, Aracik e Wathou, envolvendo todas bebês com menos de cinco meses de idade. A idade exata das vítimas não foi divulgada. A coqueluche, também conhecida como "tosse comprida", é causada pela bactéria Bordetella pertussis e apresenta sintomas como crises de tosse seca intensa que podem levar ao vômito. A doença é particularmente grave em bebês menores de seis meses, podendo resultar em complicações sérias e até a morte, com a vacinação sendo a principal forma de prevenção.
Surucucu abriga um dos principais polos de atendimento de saúde no território Yanomami, incluindo o Centro de Referência em Saúde Indígena Xapori Yanomami, inaugurado em 2025 para casos de média e alta complexidade. Segundo o Dsei-Y, os óbitos estão sob investigação para confirmar as circunstâncias e causas exatas. Os demais pacientes com diagnóstico confirmado foram transferidos para hospitais em Boa Vista.
Resposta emergencial e situação atual
Diante do aumento de casos, o Ministério da Saúde enviou equipes de saúde e especialistas em vigilância epidemiológica para atuar na região desde segunda-feira (16), com foco em aldeias próximas a Surucucu, no norte de Roraima. O ministério informou que todas as pessoas com suspeita de coqueluche e os contatos próximos dos pacientes estão em tratamento e sendo acompanhados por equipes médicas.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista, responsável pelo Hospital da Criança Santo Antonio, atualmente há uma criança de três meses internada com coqueluche na unidade, sem casos em UTI. Também estão internadas duas crianças não indígenas com a doença. O presidente da Urihi, Waihiri Hekurari Yanomami, destacou a gravidade da situação, exigindo ações mais efetivas para proteger a comunidade indígena.
As autoridades continuam monitorando a situação, com investigações em andamento para evitar novos óbitos e controlar a disseminação da coqueluche na Terra Yanomami.



