Câncer pode se tornar doença crônica controlável com terapias modernas, aponta Inca
Câncer pode virar doença crônica com terapias modernas

Câncer avança como desafio de saúde pública e pode se tornar doença crônica controlável

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou nesta quarta-feira (4) uma estimativa preocupante: Minas Gerais deve registrar 93.380 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. A capital Belo Horizonte responde por quase 13,5% desse total, com 12.560 eventuais registros da doença no período. O retrato traçado pelo instituto consolida o câncer como um dos maiores desafios de saúde pública no estado e no país.

Panorama alarmante e projeções futuras

Segundo o Inca, é possível que o câncer se torne a principal causa de morte no Brasil no futuro, superando doenças historicamente mais comuns, como problemas cardíacos. O envelhecimento da população, a exposição a fatores de risco e o diagnóstico tardio estão entre os fatores que explicam o crescimento contínuo dos casos e da mortalidade por câncer. Até 2028, o Inca estima que o país registre 781 mil novos casos da doença anualmente, um número que reflete a urgência de políticas públicas eficazes.

Distribuição dos casos em Minas Gerais

Em Minas Gerais, quando excluídos os tumores de pele não melanoma – que têm alta incidência, mas baixa letalidade – os cânceres de próstata e de mama lideram os registros de novos casos. A lista detalhada inclui:

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  • Pele não melanoma: 34.890 novos casos
  • Próstata: 10.290 novos casos
  • Mama feminina: 8.430 novos casos
  • Outras localizações: 8.320 novos casos
  • Cólon e reto: 6.160 novos casos
  • Traqueia, brônquio e pulmão: 3.580 novos casos
  • Estômago: 2.470 novos casos
  • Cavidade oral: 2.190 novos casos
  • Esôfago: 2.030 novos casos
  • Glândula tireoide: 1.690 novos casos
  • Colo do útero: 1.610 novos casos
  • Bexiga: 1.460 novos casos
  • Linfoma não Hodgkin: 1.420 novos casos
  • Sistema nervoso central: 1.350 novos casos
  • Pâncreas: 1.260 novos casos
  • Laringe: 1.140 novos casos
  • Leucemias: 1.130 novos casos
  • Fígado: 1.070 novos casos
  • Corpo do útero: 920 novos casos
  • Ovário: 890 novos casos
  • Pele melanoma: 760 novos casos
  • Linfoma de Hodgkin: 330 novos casos

Desigualdades regionais no Brasil

Os dados da estimativa de 2026 mostram que o perfil do câncer no Brasil varia de forma significativa entre as regiões, refletindo desigualdades no acesso aos serviços de saúde, às ações de prevenção e às condições de vida da população. No Norte e Nordeste, destacam-se tumores historicamente associados a falhas estruturais de saúde pública. O câncer do colo do útero aparece como a segunda neoplasia mais incidente entre mulheres nessas regiões, apesar de ser amplamente prevenível por vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e rastreamento adequado. A vacina está disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos e também para quem faz uso da PrEP. Já o câncer de estômago ocupa posições de destaque entre os homens, cenário relacionado a fatores socioeconômicos, infecções e diagnóstico tardio.

Padrões no Sul e Sudeste

Nas regiões Sul e Sudeste, predominam cânceres associados ao envelhecimento populacional e ao estilo de vida urbano. Tumores de mama, próstata, cólon e reto concentram a maior parte dos casos, padrão semelhante ao observado em países de renda alta. Ainda assim, mesmo nessas regiões, o avanço do câncer colorretal preocupa pela combinação de alta incidência e mortalidade ainda elevada, reflexo da ausência de um programa nacional estruturado de rastreamento. As diferenças regionais aparecem também nas taxas de câncer de mama:

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  • Norte: cerca de 33 casos de câncer de mama/100 mil
  • Sudeste: cerca de 88 casos/100 mil
  • Sul: cerca de 77 casos/100 mil

Esperança com terapias modernas

Diante desse cenário desafiador, há uma nota de esperança: com o avanço das terapias modernas, o câncer caminha para se tornar uma doença crônica controlável. Isso significa que, embora os números continuem altos, o manejo da doença pode melhorar significativamente, aumentando a qualidade de vida dos pacientes e reduzindo a mortalidade. A prevenção, por meio de campanhas como o Novembro Azul – dedicado à conscientização sobre o câncer de próstata – e o acesso a tratamentos inovadores são fundamentais para transformar essa projeção em realidade.