Câncer colorretal no Acre: colonoscopia enfrenta tabus apesar de 60 novos casos anuais
Câncer colorretal no Acre: colonoscopia enfrenta tabus

Câncer colorretal no Acre: colonoscopia enfrenta tabus apesar de 60 novos casos anuais

Com uma estimativa de aproximadamente 60 novos casos de câncer colorretal por ano no Acre, a colonoscopia, exame fundamental para a prevenção dessa doença, continua enfrentando barreiras significativas relacionadas a medo, constrangimento e falta de informação. Embora seja considerado o método mais eficaz para detectar alterações no intestino de forma precoce, o procedimento ainda encontra resistência em parte da população devido ao envolvimento da região anal.

Dados alarmantes e avanço entre jovens

Os números constam na publicação 'Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil', divulgada em 4 de fevereiro, coincidindo com o Dia Mundial do Câncer. A doença tem apresentado um crescimento preocupante entre homens e mulheres jovens, com casos emblemáticos como o do ator James Van Der Beek, diagnosticado aos 48 anos, além de Chadwick Boseman, estrela de 'Pantera Negra', em 2020, e da cantora Preta Gil, no ano passado.

No Acre, o câncer de cólon e reto ocupa a sexta posição entre os tipos mais incidentes, acendendo um alerta vermelho para a necessidade urgente de diagnóstico precoce. Essa realidade destaca a importância de superar os estigmas associados ao exame.

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Mitos e realidades da colonoscopia

Segundo o médico Eliatian Nogueira, especialista em gastroenterologia, um dos principais equívocos sobre a colonoscopia está relacionado à dor. "O procedimento é realizado com sedação profunda. O paciente não sente dor nem desconforto. Muitas vezes, o receio é maior que a realidade", explicou ao g1.

Os sintomas do câncer colorretal incluem:

  • Sangue nas fezes ou sangramento retal
  • Mudanças nos hábitos intestinais, como diarreia, constipação ou fezes afinadas por dias
  • Perda de peso involuntária
  • Cólicas ou dor abdominal persistente
  • Anemia sem causa aparente, detectada em exames de sangue

Importância do exame e prevenção ativa

A colonoscopia permite a visualização direta do cólon, parte do intestino grosso com cerca de 1,5 metro de extensão, e do reto. Durante o exame, é possível:

  1. Identificar inflamações e diagnosticar doenças
  2. Detectar e remover pólipos, que são lesões pré-malignas
  3. Diagnosticar o câncer ainda em estágio inicial, aumentando significativamente as chances de cura

A retirada imediata desses pólipos é considerada uma forma de prevenção ativa, pois impede que evoluam para tumores. O exame também é indicado para investigar sintomas como sangue nas fezes, perda de peso sem causa aparente, dor abdominal persistente, diarreia frequente ou prisão de ventre crônica.

Recomendações e enfrentamento do tabu

De acordo com Eliatian Nogueira, o exame é realizado com sedação profunda, onde o paciente adormece e não sente possíveis desconfortos. A recomendação geral é que o rastreamento de rotina comece a partir dos 45 anos. Para pessoas com histórico familiar de câncer colorretal ou pólipos, a orientação é antecipar o exame em 10 anos em relação à idade em que o parente de primeiro grau recebeu o diagnóstico.

O especialista reforça a necessidade de enfrentar o tabu diante dos números alarmantes. "O medo do diagnóstico não deve superar a prevenção. A detecção precoce de pólipos salva vidas", afirmou. A localização do tumor, seja no lado direito, esquerdo ou no reto, influencia diretamente os sintomas, a agressividade da doença e o tratamento necessário.

Diante da estimativa de 60 novos casos anuais no Acre, a conscientização sobre a importância da colonoscopia se torna uma questão de saúde pública urgente, exigindo esforços contínuos para desmistificar o procedimento e promover o acesso ao diagnóstico precoce.

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