O ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia no ombro direito nesta sexta-feira, 1º de maio de 2026, para reparar o manguito rotador e lesões associadas. A informação foi divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em suas redes sociais. O procedimento ocorreu no Hospital DF Star, em Brasília, após autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).
Detalhes da cirurgia
Segundo Michelle Bolsonaro, a cirurgia teve duração prevista de três horas, com mais duas horas de preparação para colocação de cateter de medicação. O ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar desde 24 de março após se recuperar de broncopneumonia, teve o pedido de cirurgia autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes. A defesa solicitou que a autorização incluísse todas as etapas do tratamento, desde o pré-operatório até a reabilitação.
O que é o manguito rotador?
O manguito rotador é um conjunto de quatro músculos e tendões que envolvem a cabeça do úmero, o maior osso dos membros superiores. Sua função é estabilizar e fixar o ombro, sendo responsável por movimentos como elevação, rotação interna e externa do braço. A médica do esporte e ortopedista Ana Paula Simões, diretora da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, explica que a estrutura é fundamental para atividades diárias e esportivas.
Gravidade das lesões
As lesões no manguito rotador podem variar de quadros leves, com inflamações e pequenas rupturas parciais, até casos graves com rupturas completas dos tendões. Nos casos leves, os pacientes sentem dor e limitações nos movimentos. Já nos mais graves, há dor intensa, fraqueza para elevar o braço e perda significativa da função. Sem tratamento adequado, a lesão pode progredir e comprometer cartilagem e osso, tornando a cirurgia mais complexa.
Procedimento cirúrgico
A cirurgia é realizada por via artroscópica, técnica minimamente invasiva que utiliza câmera e instrumentos introduzidos por pequenas incisões. O cirurgião identifica o tendão rompido e o refixa ao osso com âncoras, pequenos parafusos bioabsorvíveis ou de titânio, que suturam o tendão de volta à inserção original. Dependendo da lesão, podem ser necessárias duas, três ou mais âncoras. Em casos de ruptura extensa e antiga, pode ser necessário uso de enxertos biológicos, embora seja menos comum.
Recuperação
O processo de recuperação inclui imobilização do braço com tipoia por quatro a seis semanas, seguida de fisioterapia. A recuperação funcional completa leva, em média, de quatro a seis meses, variando conforme o tamanho da lesão e a resposta individual. A médica ressalta que a adesão à reabilitação é tão importante quanto a cirurgia em si.



