Casos de Mpox no Brasil sobem 46,5% e chegam a 129; especialista alerta para grupos de risco
Casos de Mpox sobem 46,5% no Brasil e chegam a 129

Casos de Mpox no Brasil registram aumento de 46,5% e chegam a 129 confirmações

O Ministério da Saúde divulgou novos dados sobre a mpox, zoonose viral anteriormente conhecida como varíola dos macacos, revelando um crescimento significativo de 46,5% nos casos confirmados no país. O balanço atualizado até 3 de março de 2026 aponta para 129 casos confirmados, um aumento em relação aos 88 registrados no levantamento anterior de 24 de fevereiro.

Distribuição geográfica e números adicionais

Além dos casos confirmados, o painel epidemiológico do ministério registra sete casos prováveis e 570 suspeitos, que estão em investigação. Nenhuma morte foi registrada neste ano, conforme os dados oficiais. O estado de São Paulo lidera o ranking de infecções com 86 casos, seguido pelo Rio de Janeiro com 19 casos, Rondônia com dez casos, Minas Gerais com sete casos, Rio Grande do Sul com três casos e Paraná com dois casos.

Outros estados também apresentaram registros isolados, incluindo Ceará, Distrito Federal, Goiás, Pará, Santa Catarina e Sergipe, cada um com um caso confirmado. A distribuição geográfica indica uma concentração nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, mas com presença em diversas partes do território nacional.

Perfil epidemiológico e grupos de maior risco

Os dados do Ministério da Saúde apontam para um perfil específico entre os pacientes infectados. A faixa etária mais afetada vai dos 30 aos 39 anos, com idade média de 33 anos, e os pacientes são predominantemente do sexo masculino, representando 77% dos casos. Em relação ao comportamento sexual, 65% são homens que fazem sexo com outros homens, conforme as informações catalogadas pelas autoridades de saúde.

Embora a mpox não seja uma doença que afeta exclusivamente grupos específicos, sua transmissão ocorre principalmente através do contato direto com erupções cutâneas, secreções corporais ou objetos contaminados, como toalhas e talheres. Isso explica a concentração observada em determinados perfis populacionais.

Alertas de especialistas e recomendações

O infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), já havia estimado um aumento nos casos em entrevista concedida na semana passada. Ele atribuiu parte desse crescimento ao período pré-carnaval, marcado por encontros sociais, festas e situações de contato próximo entre pessoas.

"É possível que a gente ainda veja um crescimento desses casos nas próximas duas ou três semanas. Por isso, a importância da busca ativa por diagnóstico", declarou o especialista. Barbosa enfatizou que o vírus continua com circulação endêmica desde 2022, sem interrupção, e que atualmente há uma circulação mais intensa, embora não caracterizada como um surto explosivo.

O infectologista defende a retomada de medidas adotadas durante o período mais crítico da doença, incluindo distanciamento social e isolamento de casos suspeitos. "As populações de maior risco, que a gente sabe que são principalmente homens que fazem sexo com outros homens, têm de ficar em alerta", alertou.

Sintomas e período de incubação

O período de incubação da mpox costuma durar entre três e 16 dias, podendo se estender até 21 dias. Os primeiros sintomas incluem febre, calafrios, dores no corpo e na cabeça, além de episódios de fraqueza, semelhantes a quadros de gripe e outras infecções virais.

Por volta de três dias após o início dos sintomas, surgem erupções na pele, principalmente no rosto, palma das mãos e planta dos pés. Este é o sintoma mais conhecido e que acende o alerta para a infecção. As lesões também podem aparecer na boca, região dos olhos, órgãos genitais e no ânus. Outro sinal importante é o inchaço dos linfonodos, especialmente nas regiões do pescoço e da virilha.

Recomendações para grupos vulneráveis

Pessoas imunossuprimidas e que vivem com o HIV devem buscar atendimento médico imediatamente ao perceberem qualquer sintoma, pois em casos mais graves a doença pode levar a complicações fatais. Como outras infecções virais, não há tratamento específico para mpox, apenas o manejo dos sintomas para aliviar o desconforto e prevenir complicações.

A doença foi descoberta em 1958 e inicialmente chamada de varíola dos macacos por ter sido observada pela primeira vez em primatas utilizados em pesquisa. Atualmente, sabe-se que circula principalmente entre roedores, e humanos podem se infectar através do consumo de carne contaminada, contato com animais mortos ou ferimentos causados por eles.