Uma advogada de 42 anos foi flagrada na fronteira entre Brasil e Paraguai tentando entrar com sete canetas emagrecedoras escondidas sob um casaco. O produto era retatrutida, uma molécula experimental ainda não aprovada para uso humano. A ocorrência, registrada pela Receita Federal em Foz do Iguaçu, ilustra um problema crescente: o contrabando de medicamentos para emagrecimento vindos do Paraguai.
Apreensões em alta
Nos primeiros três meses de 2026, as apreensões de canetas emagrecedoras no Paraná já superam, em valor, todo o ano de 2025. Foram mais de R$ 11 milhões em produtos apreendidos. Em Foz do Iguaçu, as canetas são o segundo item mais confiscado, atrás apenas de celulares. A retatrutida representa quase 10% do total de apreensões desse tipo no estado.
Riscos à saúde
A médica Caroline Janovsky, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, alerta para os perigos: "Ninguém sabe se o produto teve controle sanitário, se a dose está correta ou se está contaminado. Pode haver efeitos colaterais graves". Além disso, o transporte clandestino, muitas vezes sem refrigeração adequada, pode transformar as canetas em um meio de cultura de bactérias.
Comércio livre no Paraguai
Em Ciudad del Este, anúncios em português de canetas emagrecedoras são comuns em farmácias. Não há restrição de quantidade nem exigência de receita médica, embora a venda seja oficialmente regulamentada. Brasileiros são orientados a "esconder bem na mala" para evitar a fiscalização.
Produto experimental
A retatrutida, desenvolvida pela farmacêutica americana Eli Lilly, ainda está em fase de testes. A empresa afirma que o medicamento pode levar a uma perda de até 28,7% do peso em 15 meses, mas não há previsão de lançamento comercial. Versões vendidas no Paraguai são consideradas ilegais e perigosas.
Ação de grupos criminosos
As autoridades identificam o envolvimento de organizações criminosas no contrabando. O delegado da Polícia Federal Emerson Rodrigues afirma que as canetas são a "bola da vez" e que há indícios fortes de que grupos operam nesse ramo. As penas podem chegar a 15 anos de prisão por crime hediondo contra a saúde pública.
Fiscalização e desafios
A Anvisa proíbe a entrada de diversas marcas de canetas e ampolas de tirzepatida, como Gluconex e Lipoless. Apenas medicamentos com receita médica e para uso de até três meses podem ser trazidos do exterior. A agência alerta que não pode garantir a segurança de produtos não registrados no Brasil.



