Campinas acumula 3,2 mil denúncias contra planos de saúde em 2025, com casos graves de interrupção de tratamentos
Um levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aponta que a cidade de Campinas, no interior de São Paulo, registrou 3.262 reclamações contra planos de saúde ao longo do ano de 2025. Os casos relatados variam desde situações críticas, como quimioterapias e cirurgias canceladas, até problemas recorrentes de demora para a realização de consultas ou procedimentos médicos essenciais.
Esse número impressionante representa, em média, nove denúncias por dia, evidenciando uma crise significativa no setor de saúde suplementar na região metropolitana. A ANS, que é o principal canal de recebimento de demandas de usuários de planos de saúde em todo o país, destaca a gravidade desses registros, que impactam diretamente a qualidade de vida e o acesso a cuidados médicos da população.
Ranking das reclamações em Campinas em 2025
Segundo os dados detalhados da agência, considerando os subtemas das reclamações, os principais motivos de insatisfação dos usuários foram:
- Regras para acesso aos atendimentos: 757 registros
- Prazos máximos para atendimento: 655 registros
- Rede de atendimento (rede conveniada): 572 registros
- Rol de procedimentos e cobertura contratual: 392 registros
- Reembolso: 265 registros
- Outros: 204 registros
- Suspensão e rescisão contratuais: 131 registros
- Mensalidade ou outras cobranças: 127 registros
- Carência: 61 registros
- Portabilidade de carências: 53 registros
- Contratação/adesão e vigência contratual: 45 registros
Os casos envolvendo regras para acesso aos atendimentos lideram a lista, com 757 registros, seguidos por questionamentos sobre prazos máximos para atendimentos (655) e problemas relacionados à rede conveniada (572). Esses dados revelam uma preocupação generalizada com a acessibilidade e a eficiência dos serviços de saúde oferecidos pelas operadoras.
Procedimentos da ANS para mediação de conflitos
Em nota oficial, a ANS explica que atua fortemente na intermediação de conflitos entre beneficiários e operadoras, utilizando a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP). Esta ferramenta foi criada especificamente para agilizar a solução de problemas relatados pelos consumidores.
Quando uma reclamação é registrada nos canais de atendimento da agência, ela é automaticamente enviada à operadora responsável, que deve cumprir prazos estabelecidos:
- Até cinco dias úteis para resolver problemas relacionados à não garantia da cobertura assistencial.
- Até 10 dias úteis em casos de demandas não assistenciais.
Caso o problema não seja resolvido por meio da NIP, a ANS pode instaurar um processo administrativo sancionador, que pode resultar na aplicação de multas às operadoras. No entanto, a agência ressalta que as queixas em análise são baseadas nos relatos dos beneficiários, sem um exame prévio de mérito sobre possíveis infrações.
Onde e como reclamar
A orientação da ANS é que os usuários de planos de saúde enfrentando dificuldades procurem, inicialmente, a própria operadora para buscar a resolução do problema. Se a questão não for solucionada, é recomendado registrar a reclamação junto à agência através dos seguintes canais:
- Atendimento telefônico gratuito - Disque ANS (0800 701 9656), de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, exceto feriados nacionais.
- Atendimento eletrônico por meio de formulário disponível no portal oficial da ANS.
- Atendimento telefônico gratuito para deficientes auditivos (0800 021 2105).
- Atendimento presencial nos Núcleos da ANS distribuídos pelo país.
Esses mecanismos visam garantir que os consumidores tenham um caminho claro para reportar falhas e buscar reparação, especialmente em casos graves como os de Campinas, onde pacientes com câncer, por exemplo, enfrentam interrupções em quimioterapias e consultas essenciais devido a problemas com seus planos de saúde.