Campinas perde serviço de motolâncias do Samu após contrato não ser renovado
O serviço de motolâncias, considerado essencial para agilizar o socorro em horários de trânsito intenso, será encerrado em Campinas (SP) no próximo dia 28 de fevereiro. A decisão foi anunciada pela Rede Mário Gatti, responsável pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência na cidade.
Falta de fornecedor leva à interrupção do serviço
Segundo informações oficiais, o serviço será interrompido porque a empresa responsável pela locação dos dois veículos não demonstrou interesse em renovar o contrato. Além disso, nenhum outro fornecedor apresentou disponibilidade para assumir a operação das motocicletas equipadas para atendimento de emergência.
A Rede Mário Gatti informou que estuda retomar o trabalho das motolâncias através de financiamento junto ao Ministério da Saúde, com o objetivo de realizar uma nova licitação. No entanto, não há prazo definido para que essa retomada ocorra, deixando a população temporariamente sem esse recurso de agilidade no atendimento médico.
Reorganização das equipes e absorção da demanda
Com o fim do serviço, a partir de 1º de março os cinco enfermeiros que atuavam nas motolâncias serão realocados para as equipes das ambulâncias do Samu. A demanda que antes era atendida pelas motolâncias, segundo a rede, será absorvida pelas unidades de suporte básico e avançado já existentes no serviço de urgência.
A rede explicou ainda que o serviço de motolância envolve custos específicos, incluindo locação das motocicletas, equipamentos especializados, combustível e remuneração dos profissionais de enfermagem. Com o encerramento, os recursos que eram reservados para esse serviço serão aplicados no fortalecimento e melhoria do próprio Samu como um todo.
Impacto nos atendimentos de emergência
As motolâncias realizaram 954 atendimentos apenas em 2025, o que corresponde a 2,4% do total atendido por todas as viaturas do Samu, que somou 39.201 ocorrências ao longo do ano. Embora o percentual possa parecer modesto, profissionais destacam a importância estratégica desses atendimentos em situações críticas onde cada minuto conta.
O serviço, ativo desde 2018, consistia em motocicletas equipadas com sirenes e mochilas contendo equipamentos de resgate, permitindo que profissionais de enfermagem com treinamento especializado em pilotagem e urgência chegassem rapidamente a locais de difícil acesso para veículos maiores.
Como funcionavam as motolâncias
O trabalho era realizado em duplas, com duas motos saindo juntas, cada uma carregando parte dos materiais essenciais para os primeiros socorros. Conforme relatos dos profissionais, a estimativa era que com o uso da moto os socorristas chegassem de 5 a 10 minutos antes no local do atendimento comparado às ambulâncias convencionais.
A maior parte das ocorrências atendidas envolvia traumas, como acidentes de trânsito e quedas, além de emergências clínicas, incluindo paradas cardiorrespiratórias e casos de hipoglicemia. A ideia central do serviço era chegar antes da ambulância e iniciar o atendimento imediato, aumentando as chances de sobrevivência dos pacientes.
Entretanto, a Prefeitura de Campinas ressaltou em nota que, "embora a motolância possa, em alguns casos, chegar antes ao local, sua atuação é limitada à avaliação inicial e primeiros procedimentos, não realizando transporte nem substituindo a intervenção completa de uma viatura — especialmente nos casos de maior gravidade".
Desafios operacionais e perspectivas futuras
Júnior, um dos profissionais que atuava no serviço, destacou que apesar das motolâncias serem equipadas com sirenes, a falta de popularidade e reconhecimento desses veículos pela população representava uma dificuldade muitas vezes perigosa no trânsito. Motoristas nem sempre identificavam rapidamente as motocicletas como veículos de emergência, dificultando a passagem em vias congestionadas.
Agora, com o encerramento temporário do serviço, a cidade aguarda uma solução que permita retomar essa importante ferramenta de atendimento médico de urgência, enquanto as autoridades buscam alternativas de financiamento e licitação para garantir sua continuidade no futuro.



