O pesquisador brasileiro Luciano Moreira, ex-aluno da Universidade Federal de Viçosa (UFV), foi reconhecido como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026 pela revista Time. Ele integra a seção de “inovadores” pelo desenvolvimento de um método revolucionário de combate à dengue, baseado na reprodução de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, que bloqueia a transmissão de vírus como dengue, zika e chikungunya.
Formação acadêmica na UFV
Luciano Moreira ingressou no curso de agronomia da UFV em 1986, já com interesse em iniciação científica e entomologia, especialmente no estudo de insetos-praga. Em 1992, concluiu o mestrado em fitotecnia, pesquisando um percevejo predador com potencial para controle biológico de pragas agrícolas. Posteriormente, obteve o doutorado em genética e melhoramento de plantas pela UFV, focando na identificação de genes associados à resistência do tomateiro a uma mosca considerada praga. Parte de sua pesquisa de doutorado foi realizada no Centre of Plant Breeding and Reproduction Research, na Holanda.
Após o doutorado, seguiu para o pós-doutorado na Case Western Reserve University (Cleveland, Ohio), onde se dedicou ao estudo de mosquitos e malária. Desde 2002, atua como pesquisador em saúde pública no Instituto René Rachou/Fiocruz, na área de biologia molecular, e participou da descoberta de que a bactéria Wolbachia é capaz de bloquear vírus transmitidos pelo Aedes aegypti.
Maior fábrica de mosquitos do mundo
O conhecimento adquirido levou Moreira à criação do Wolbito do Brasil, a maior biofábrica do mundo dedicada à produção de mosquitos modificados. Atualmente, essa produção faz parte da política pública brasileira de combate à dengue, zika e chikungunya. “O método saiu do campo científico e agora é uma forma de controle, listada como uma política pública pelo Ministério da Saúde”, explicou o pesquisador.
Para ele, o reconhecimento internacional é fruto de anos de estudo e do apoio recebido para suas pesquisas. “Eu tive bolsa CNPq desde a iniciação científica, lá no começo da graduação, e isso foi fundamental para minha formação. Ao longo da carreira, também tive projetos apoiados pela UFV, que marcaram a minha jornada científica”, destacou.
Reconhecimento internacional
No ano anterior, Moreira já havia sido destaque na revista Nature como um dos 10 cientistas que moldaram a ciência em 2025. Além dele, o Brasil conta com outros dois representantes na lista da Time: a pesquisadora Mariangela Hungria, pelo trabalho pioneiro com bactérias e fungos como fertilizantes naturais, e o ator Wagner Moura, pela atuação no filme “O Agente Secreto”, que concorreu ao Oscar.
O método desenvolvido por Moreira representa uma alternativa sustentável e eficaz no combate a doenças transmitidas por mosquitos, reforçando a importância da pesquisa científica brasileira no cenário global.



