Sarampo nas Américas: OPAS emite alerta após aumento de mais de 30 vezes nos casos
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta epidemiológico urgente na terça-feira (3) diante do aumento significativo de casos de sarampo na região das Américas em 2025 e no início de 2026. Os números são alarmantes: quase 15 mil casos da doença foram confirmados no continente no ano passado, representando um crescimento de mais de 30 vezes em comparação com os 466 registros de 2024.
Panorama continental e situação brasileira
Neste ano, apenas nas três primeiras semanas, outros mil casos já foram registrados nas Américas. A OPAS aponta que a maioria das infecções ocorreu em pessoas não vacinadas ou sem informação sobre o esquema vacinal. Crianças menores de cinco anos concentram as maiores taxas de incidência, com destaque para bebês com menos de um ano, considerados o grupo mais vulnerável às formas graves da doença.
No Brasil, o ano de 2025 marcou um retrocesso no controle da doença na região. Foram confirmados 38 casos de sarampo, distribuídos pelo Distrito Federal e seis estados. A distribuição específica foi:
- Tocantins: 25 casos
- Mato Grosso: 6 casos
- São Paulo e Rio de Janeiro: 2 casos cada
- Distrito Federal, Maranhão e Rio Grande do Sul: 1 caso cada
Nas primeiras três semanas de 2026, o país ainda não registrou novos infectados, mas a vigilância permanece ativa.
Queda na cobertura vacinal e casos importados
O alerta da OPAS também chama atenção para a queda na cobertura vacinal nos países das Américas. Em muitos deles, a aplicação da segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, permanece abaixo dos 95% recomendados para evitar a circulação do vírus.
No Brasil, os registros confirmados em 2025 foram associados, em sua maior parte, à importação do vírus, segundo o relatório. Os casos ocorreram em diferentes estados e envolveram principalmente pessoas sem vacinação comprovada.
Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que "esses casos importados não se traduzem em circulação ativa do vírus". Ele detalha: "Dos 38 casos, a maioria foi no Tocantins, depois que uma família de caminhoneiros foi à Bolívia e voltou com sarampo, o que acabou gerando um surto em uma comunidade com baixíssima cobertura vacinal por questões religiosas".
Países com mais casos e perfil dos infectados
Os dados da OPAS revelam um panorama preocupante:
- Países com mais casos (2025): México (6.428), Canadá (5.436) e Estados Unidos (2.242)
- Mortalidade: Das 29 mortes registradas, 22 (73%) ocorreram em populações indígenas, evidenciando a vulnerabilidade desses grupos
- Perfil dos Infectados: 78% das pessoas que contraíram o vírus em 2025 não estavam vacinadas
Certificação brasileira e desafios vacinais
O Brasil recuperou em novembro de 2024 a certificação de país livre do sarampo, concedida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Kfouri comenta: "A recertificação trouxe mais segurança; o reconhecimento foi reconquistado não apenas pelas altas coberturas vacinais, mas também pela vigilância ativa, com busca de casos suspeitos, realização de exames e resultados negativos, o que demonstra que o país investiga continuamente e não encontra circulação do vírus".
Segundo o especialista, a cobertura vacinal brasileira está entre 94% e 96%, mas o principal desafio é ampliar a aplicação da segunda dose. Ele ressalta que as coberturas são maiores na primeira dose e diminuem nas doses seguintes, devido às taxas de abandono acumuladas.
Copa do Mundo 2026 e recomendações para viajantes
A circulação do vírus é alimentada pelo fluxo internacional. Em 2025, 71% dos casos na região foram relacionados à importação do vírus de outros continentes, como África e Mediterrâneo Oriental. A OPAS destaca a Copa do Mundo da FIFA 2026 como um fator de risco devido ao imenso fluxo de turistas.
As recomendações para viajantes são claras:
- Vacinação Antecipada: Viajantes com mais de 6 meses de idade devem se vacinar pelo menos 14 dias antes da partida
- Dose Zero: Bebês de 6 a 11 meses que viajam para áreas de transmissão devem receber a "dose zero" (que não substitui o esquema de rotina aos 12 meses)
- Monitoramento de Sintomas: Ao retornar, fique atento a febre, exantema (manchas vermelhas), tosse, coriza ou conjuntivite
Kfouri enfatiza: "A vacinação deve alcançar toda a população, independentemente de estar viajando ou não. São duas doses para os menores de 30 anos e uma dose para pessoas entre 30 e 60 anos. Para quem vai viajar, o ideal é se vacinar pelo menos 14 dias antes, para garantir um grau de proteção".
O que é o sarampo e seus sintomas
O sarampo é uma doença altamente contagiosa causada por um vírus transmitido por vias aéreas, que já foi muito prevalente na infância de todas as crianças brasileiras. Ele pode deixar sequelas por toda a vida ou levar à morte.
Sintomas comuns e característicos da doença são manchas brancas na parte interna da bochecha e vermelhas na pele. Elas aparecem primeiro no rosto e vão em direção aos pés. Outros sintomas comuns são tosse persistente, irritação nos olhos e corrimento no nariz.
A doença também pode causar febre, infecção nos ouvidos, pneumonia, diarreia, conjuntivite, perda de apetite e convulsões. O vírus também pode atingir as vias respiratórias e até causar infecções no encéfalo.



