Bebê Yanomami de 1 ano morre com suspeita de coqueluche em Boa Vista
Um bebê Yanomami de apenas 1 ano e 1 mês faleceu no Hospital da Criança Santo Antônio, em Boa Vista, capital de Roraima, com suspeita de coqueluche, pneumonia e desnutrição grave. A informação foi confirmada pela Urihi Associação Yanomami, enquanto o Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (6) que investiga oficialmente o caso.
Origem da criança e deslocamento do corpo
A criança residia na comunidade Linxinapi, localizada na região do Xitei, dentro da Terra Indígena Yanomami. Segundo o líder indígena Waihiri Hekurari Yanomami, a mãe transportou o corpo do filho no domingo (5) até a base de Surucucu. De lá, o corpo seria transferido de helicóptero para a comunidade de origem, onde seriam realizados os rituais tradicionais de despedida.
Em nota oficial ao g1, o Ministério da Saúde confirmou que o bebê foi atendido apresentando sintomas de coqueluche, mas ressaltou que ainda não há confirmação definitiva sobre se a infecção foi a causa direta da morte. A reportagem solicitou à Secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista (SMSA) dados atualizados sobre óbitos infantis por coqueluche no Hospital da Criança Santo Antônio, mas não obteve resposta até o momento.
Surto de coqueluche no território Yanomami
O território indígena enfrenta um surto significativo de coqueluche desde o início deste ano. A força-tarefa do governo federal contabiliza, até o momento, 25 casos confirmados e três mortes oficiais pela doença. O Ministério afirma que todos os pacientes com suspeita e as pessoas que tiveram contato com eles estão recebendo tratamento adequado.
Entretanto, os números de mortes são contestados pelas organizações indígenas. Enquanto o governo confirma três óbitos, a Urihi Associação Yanomami afirma que pelo menos cinco crianças já faleceram vítimas do surto desde fevereiro, revelando uma discrepância preocupante nos registros.
Ações do governo para conter a doença
Para combater o avanço da coqueluche, o Ministério da Saúde enviou especialistas da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) e do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS). Desde fevereiro, as equipes realizaram mais de 6,5 mil atendimentos no território, aplicaram 2.805 vacinas e forneceram medicamentos preventivos para 924 pessoas, conforme dados do Governo Federal.
A pasta também destacou um avanço expressivo na vacinação. A cobertura com o esquema vacinal completo para crianças menores de um ano subiu de 27% em 2023 para 60,6% em 2025. Entre as crianças menores de cinco anos, o índice passou de 47,4% para 78,3%, demonstrando esforços significativos de imunização.
O que é a coqueluche?
Coqueluche, também conhecida como "tosse comprida", é uma infecção respiratória altamente contagiosa causada por bactéria. Os sintomas incluem crises de tosse seca e intensa que podem levar ao vômito. A doença é particularmente grave em bebês menores de seis meses, podendo causar complicações sérias e até a morte. A principal forma de prevenção é a vacinação, reforçando a importância das campanhas de imunização.
Contexto da Terra Indígena Yanomami
A Terra Indígena Yanomami é o maior território indígena do Brasil, com quase 10 milhões de hectares divididos entre Roraima e Amazonas. No local vivem mais de 31 mil indígenas, distribuídos em 370 comunidades. A região enfrenta uma emergência de saúde pública desde janeiro de 2023, motivada principalmente pelo avanço do garimpo ilegal, que tem causado desnutrição e casos graves de malária nas comunidades.
Esta tragédia ocorre em um contexto onde a saúde indígena permanece como um desafio crítico para as autoridades brasileiras, exigindo ações coordenadas e eficazes para proteger populações vulneráveis.



