Tragédia neonatal em Porto Alegre: bebê prematuro morre por superbactéria multirresistente
Um recém-nascido extremamente prematuro, que veio ao mundo com apenas 26 semanas de gestação e 600 gramas, faleceu após testar positivo para uma superbactéria na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Fêmina, em Porto Alegre. O caso ganhou dimensão trágica com a revelação de que o bebê tinha um irmão gêmeo, que permanece internado na mesma unidade hospitalar, embora o hospital não tenha confirmado se este também testou positivo para a bactéria.
Surto bacteriano em UTI neonatal leva a medidas extremas
O bebê que não resistiu estava entre quatro pacientes da UTI Neonatal que apresentaram resultado positivo para a Acinetobacter baumannii, bactéria classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2024 como uma das mais perigosas do mundo. Diante da detecção do surto, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), gestor do hospital, determinou o fechamento temporário da unidade neonatal e implementou rigorosas medidas de contenção.
"É uma bactéria pouco agressiva, mas muito resistente, de modo que não existe mais antibiótico para usar e a gente acaba tendo que resgatar antibióticos muito antigos", explicou o médico Alessandro Pasqualotto, presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia. Segundo especialistas, esse microrganismo é associado principalmente a infecções hospitalares e apresenta alto grau de resistência aos antibióticos modernos, exigindo tratamentos com medicamentos mais antigos e potencialmente tóxicos.
Cenário crítico na unidade fechada
No momento da identificação da bactéria, estavam internados 34 recém-nascidos na UTI Neonatal do Hospital Fêmina. Até o momento do fechamento desta reportagem, a situação apresentava os seguintes desdobramentos:
- 23 pacientes já receberam alta médica
- Além do bebê que faleceu, outros três testaram positivo e seguem em estado estável
- Os pacientes positivos estão isolados e recebem acompanhamento de equipe exclusiva
- Todas as gestantes de alto risco estão sendo redirecionadas para outras maternidades da capital gaúcha
Rosana Reis Nothen, diretora de atenção à saúde do GHC, detalhou a situação: "Esses bebês estão em tratamento intensivo, recebendo antibióticos e mais uma série de cuidados que é necessário para prematuros tão extremos".
Resposta coordenada das autoridades de saúde
O caso está sendo monitorado de perto por múltiplas instâncias do sistema de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre emitiu nota informando que está apoiando "o redirecionamento de gestantes de 20-35 semanas para as demais maternidades da capital, garantindo a continuidade do atendimento". A secretaria também confirmou que, por medida de segurança, novas admissões na unidade estão temporariamente suspensas.
Paralelamente, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirmou que "está acompanhando a situação, em diálogo com a SMS, e à disposição para auxiliar no que for necessário". A Vigilância Sanitária também foi acionada e participa do monitoramento do surto bacteriano.
Características da superbactéria identificada
A Acinetobacter baumannii representa um grave desafio para a medicina contemporânea. A OMS a classifica como perigosa com base em critérios como:
- Taxas de mortalidade associadas
- Alta incidência de infecções
- Impacto significativo na saúde pública
- Rápido desenvolvimento de resistência
- Transmissibilidade em ambientes hospitalares
- Opções limitadas de tratamento
Trata-se de um patógeno bacteriano oportunista emergente cujo risco de infecção aumenta proporcionalmente ao tempo de hospitalização dos pacientes. Indivíduos com sistemas imunológicos vulneráveis, como recém-nascidos prematuros, estão particularmente suscetíveis a complicações graves.
Protocolos de segurança e atendimento mantidos
O Grupo Hospitalar Conceição destacou em comunicado que a bactéria identificada é multirresistente, mas sensível a antibióticos, não se tratando de uma cepa pan-resistente. Desde a detecção no dia 16 de abril, o hospital implementou um sistema tripartite de atendimento:
- Uma equipe atende pacientes sem contato com a bactéria
- Outra equipe cuida de pacientes que tiveram contato, mas não testaram positivo
- Um terceiro grupo atende exclusivamente os três pacientes que foram detectados com a bactéria
"As equipes clínica e de enfermagem do Hospital Fêmina vêm atuando de forma diligente, garantindo que nenhum paciente internado ou gestante que tenha buscado o hospital fiquem sem atendimento ou expostos a situações de risco", afirmou o GHC em nota oficial.
A área afetada passou por isolamento total, com bloqueio de circulações internas, suspensão temporária de novas admissões e realização de testes em todos os bebês internados no setor. O caso continua sob vigilância epidemiológica rigorosa enquanto as autoridades de saúde trabalham para conter completamente o surto bacteriano.



