Família acusa negligência médica após bebê de Campina Grande ficar em estado gravíssimo
Uma situação dramática envolvendo uma bebê de apenas 1 ano e 6 meses está mobilizando a cidade de Campina Grande, no Agreste da Paraíba. A família da criança está denunciando uma suposta negligência médica no Hospital da Criança e do Adolescente, após a menina ter sido internada em estado gravíssimo no Hospital de Emergência e Trauma da cidade.
Três idas ao hospital e duas altas precipitadas
De acordo com relatos familiares, a bebê foi levada pela primeira vez ao Hospital da Criança e do Adolescente na última sexta-feira (20), apresentando sintomas de síndrome gripal. O tio da criança, que é profissional de saúde há mais de 15 anos, afirma que uma médica teria dito à mãe que ela estaria "exagerando por ser mãe de primeira viagem". A profissional receitou dipirona e liberou a criança.
Em casa, a situação piorou significativamente. A bebê começou a apresentar vômitos e secreção, levando os pais a retornarem ao hospital na segunda-feira (23). Surpreendentemente, a menina não foi examinada adequadamente e recebeu alta pela segunda vez, desta vez com recomendação de lavagem nasal.
Convulsões e transferência emergencial
A crise se agravou quando a criança começou a convulsionar em casa. Na madrugada de segunda para terça-feira (23 para 24), a família levou a bebê pela terceira vez ao Hospital da Criança e do Adolescente. Desta vez, a gravidade do caso foi reconhecida imediatamente - a menina foi encaminhada direto para a ala vermelha, onde continuou apresentando convulsões.
Por volta das 5h50 da terça-feira (24), a situação exigiu medidas extremas: a bebê foi levada para a UTI do hospital e precisou ser entubada. Segundo o tio, a equipe médica chegou a questionar se a família era doadora de órgãos, indicando a seriedade do quadro clínico.
Estado gravíssimo e edema cerebral
Por volta do meio-dia da terça-feira, a criança foi transferida para o Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande, onde permanece na UTI em estado considerado gravíssimo. A equipe médica responsável pelo atendimento no Hospital de Trauma confirmou que a bebê apresenta edema cerebral, uma condição extremamente séria que requer cuidados intensivos.
O tio da menina, utilizando sua experiência como profissional de saúde, afirma ter sugerido intervenções médicas durante o atendimento no Hospital da Criança e do Adolescente, mas ter sido ignorado pela equipe.
Resposta das autoridades de saúde
A Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande, responsável pela administração do Hospital da Criança e do Adolescente, emitiu uma nota oficial expressando solidariedade à família da bebê. A secretaria afirmou que:
- Todas as medidas para garantir um melhor atendimento na unidade estão sendo tomadas
- Uma sindicância interna foi instaurada para apuração dos fatos
- Após a conclusão da apuração, "todas as providências cabíveis serão tomadas para assegurar a devida responsabilização"
O caso levanta questões importantes sobre a qualidade do atendimento médico pediátrico na rede pública de saúde de Campina Grande e reforça a necessidade de protocolos rigorosos para o atendimento de crianças com sintomas graves. A família aguarda ansiosamente por melhoras no estado de saúde da bebê enquanto as investigações sobre o ocorrido seguem seu curso.



