Vacinação contra dengue tem baixa cobertura na região de Ribeirão Preto, SP
Baixa cobertura da vacina contra dengue em Ribeirão Preto

Vacinação contra dengue enfrenta desafios na região de Ribeirão Preto, SP

Dois anos após o início da vacinação contra a dengue no Brasil, a cobertura ainda está significativamente abaixo do ideal nas cidades da região de Ribeirão Preto, Barretos e Franca, no estado de São Paulo. Os dados revelam uma preocupante discrepância entre a primeira e a segunda dose, essencial para completar o esquema vacinal e garantir proteção eficaz contra a doença.

Baixa adesão à segunda dose compromete imunização

Segundo informações do Ministério da Saúde, o ideal é que a cobertura vacinal esteja sempre acima de 90%. No entanto, nas principais cidades da região, os índices estão bem distantes desta meta. Considerando os dados de Ribeirão Preto, Franca, Sertãozinho e Barretos, a média regional é de 55,3% para a primeira dose e de apenas 27,7% para a segunda. Isso significa que pouco mais da metade do público-alvo iniciou a vacinação e menos de um terço completou o esquema vacinal.

Em Ribeirão Preto, a cidade com a maior cobertura da primeira dose, 84,5% do público-alvo recebeu a primeira aplicação, mas apenas 35,4% retornou para a segunda. Luzia Márcia Romanholi Passos, subsecretária de Vigilância em Saúde, destaca que este é um dos principais desafios no enfrentamento da dengue. "As pessoas tomam a primeira dose, produzem anticorpos, mas precisam da segunda para que esse nível se eleve e seja mais duradouro. Sem completar o esquema, a proteção fica comprometida", afirma.

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Dados detalhados por cidade mostram cenário preocupante

Os números específicos de cada município reforçam a urgência em melhorar a adesão:

  • Ribeirão Preto: 84,5% primeira dose, 35,4% segunda dose.
  • Franca: 62,3% primeira dose, 37,7% segunda dose.
  • Sertãozinho: 40,47% primeira dose, 21,08% segunda dose.
  • Barretos: 33,76% primeira dose, 16,54% segunda dose.

A vacina, que começou a ser aplicada em fevereiro de 2024, é destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que concentra um dos maiores números de internações por dengue, atrás apenas dos idosos. O esquema é composto por duas doses, com intervalo de três meses.

Nova vacina em dose única pode melhorar cobertura

Nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, o governo de São Paulo iniciou a campanha de vacinação contra a dengue com a Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em todos os 645 municípios paulistas. Este imunizante, primeiro do mundo a ser aplicado em dose única, foi aprovado pela Anvisa para pessoas de 12 a 59 anos e pode ser essencial para melhorar a cobertura vacinal em todo o estado.

Os estudos apontaram eficácia de quase 75% contra casos gerais da doença, mais de 91% contra casos graves e 100% contra hospitalizações. Nesta primeira fase, serão vacinados profissionais da Atenção Primária à Saúde da rede municipal.

Casos de dengue e medidas de combate na região

Em 2024, Ribeirão Preto registrou 44.630 casos de dengue e 26 mortes, com taxas de hospitalização de 5,36%. Em 2025, os números caíram para 21.580 casos positivos e 11 óbitos, com hospitalização em 3,97%. Até o dia 21 de janeiro deste ano, a cidade contabiliza 8 casos confirmados.

Além da vacinação, as cidades mantêm ações contínuas de combate ao mosquito Aedes aegypti, incluindo:

  • Vistorias em imóveis e bloqueios de criadouros.
  • Nebulização em áreas com casos confirmados.
  • Implantação de estações disseminadoras de larvicida.
  • Mutirões de limpeza e visitas a canteiros de obras.

Luzia ressalta que a vacinação precisa estar associada aos cuidados dentro de casa, como eliminar recipientes que acumulam água e revisar o quintal semanalmente. "Dengue é uma doença que pode evoluir para quadros graves e até levar à morte. A vacina ajuda, mas só funciona junto com o controle do mosquito", conclui.

As prefeituras informam que a vacina contra a dengue segue disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, sem necessidade de agendamento prévio na maioria das cidades, bastando apresentar documento de identificação e a caderneta de vacinação.

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