Cresce 12% atendimentos por disfunção na mandíbula na região de Campinas
Atendimentos por DTM aumentam 12% em Campinas

Cresce 12% atendimentos por disfunção na mandíbula na região de Campinas

Dores de cabeça frequentes, incômodos faciais e dificuldades para mastigar são sintomas que têm levado um número crescente de pessoas a buscar atendimento médico na região de Campinas, no interior de São Paulo. Em muitos casos, a origem desses problemas está na mandíbula, exigindo tratamento especializado com cirurgiões-dentistas. Essa condição, conhecida como disfunção temporomandibular (DTM), registrou um aumento significativo nos atendimentos ambulatoriais na área.

Aumento nos atendimentos

Na região do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas, os atendimentos ambulatoriais por DTM cresceram 12% de 2024 para 2025, conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Esse crescimento reflete uma tendência preocupante que tem chamado a atenção de profissionais da saúde e da população local.

História de uma paciente

A cirurgiã dentista Letícia Alvarenga viveu uma experiência pessoal com a DTM. Ela enfrentou dores de cabeça quase diárias durante a fase final da faculdade, inicialmente atribuindo o problema à visão. Vivendo um período de ansiedade intensa, Letícia apertava os dentes com frequência, o que levou a travamentos na mandíbula e estalos próximos ao ouvido.

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Após buscar ajuda especializada, recebeu o diagnóstico de disfunção temporomandibular. O tratamento começou com o uso de uma placa para reposicionar a mordida, seguido por uma fase ortodôntica. “No início do tratamento, já vi uma melhora absurda. Tudo melhorou”, relatou a profissional, destacando a eficácia da intervenção correta.

Sintomas da DTM

Os principais sinais da disfunção temporomandibular incluem:

  • Dor de cabeça persistente
  • Dor facial
  • Estalos ao abrir e fechar a boca
  • Dificuldade para mastigar
  • Dor no pescoço e nos ouvidos
  • Zumbido no ouvido

Origem multifatorial

A DTM tem uma origem multifatorial, envolvendo diversos fatores físicos e emocionais. Entre os aspectos físicos estão:

  • Perda de dentes
  • Uso inadequado de próteses
  • Desalinhamento da mordida
  • Traumas e lesões

Fatores emocionais também desempenham papel crucial, com destaque para:

  • Estresse
  • Ansiedade
  • Aspectos genéticos e hormonais
  • Hábitos comportamentais como bruxismo
  • Distúrbios do sono
  • Sedentarismo

A disfunção frequentemente é confundida com outras condições médicas, como enxaqueca, problemas neurológicos e dores de ouvido. Essa confusão faz com que muitos pacientes passem por diferentes especialidades médicas antes de obter o diagnóstico correto, que geralmente ocorre em consultórios odontológicos.

Fatores por trás do aumento

Segundo Daniel Zerbinati, cirurgião bucomaxilofacial e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, o aumento na procura por atendimento está diretamente relacionado ao crescimento dos níveis de estresse e ansiedade na população. Esses fatores foram intensificados durante o período da pandemia e no cenário pós-pandemia, contribuindo para o agravamento dos casos.

Zerbinati afirma que a disfunção temporomandibular atinge aproximadamente 30% da população mundial, destacando a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.

Opções de tratamento

O tratamento para DTM varia conforme as características de cada paciente e pode incluir diversas abordagens:

  1. Atividade física aeróbica regular
  2. Acompanhamento psicológico ou psiquiátrico
  3. Uso de placas oclusais
  4. Medicações específicas
  5. Terapias musculares com correntes elétricas
  6. Agulhamento terapêutico
  7. Aplicação de laser
  8. Cirurgia, em casos mais graves

O diagnóstico realizado por especialistas em dor orofacial e DTM é fundamental para evitar tratamentos invasivos e, em algumas situações, desnecessários. A abordagem correta não apenas alivia os sintomas, mas também melhora significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

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