Apae de Santa Bárbara d'Oeste enfrenta crise financeira com dívida de R$ 5,9 milhões
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo, está em uma situação crítica, descrita pelo diretor do conselho da entidade, Adilson Boaretto, como "próxima de colapso" financeiro. A organização, que oferece serviços gratuitos de saúde, educação e assistência social para pessoas com deficiência intelectual e múltipla, acumula uma dívida total de R$ 5,9 milhões, além de enfrentar problemas estruturais graves e processos trabalhistas.
Dívida acumulada e insuficiência de recursos
Segundo Boaretto, a dívida começou a se acumular há cerca de sete anos, resultado da insuficiência de repasses do poder público e da alta demanda por atendimentos. Os recursos recebidos não cobrem os custos reais dos serviços prestados, e a procura aumentou significativamente. Em 2025, a entidade fechou o ano com um déficit de R$ 2 milhões, agravando a situação financeira.
O tesoureiro da Apae, Jefferson Laudissi, detalhou a composição da dívida: R$ 4,7 milhões em consignados do SUS, R$ 950 mil em FGTS, R$ 165 mil em consignados atrasados, R$ 150 mil em boletos vencidos e R$ 11,2 mil em consignados de funcionários. Boaretto explicou que gestões anteriores priorizaram o atendimento humanizado, contando com recursos incertos que não se concretizaram, criando uma "bola de neve" de endividamento.
Problemas estruturais e processos trabalhistas
Além da crise financeira, o prédio da instituição está "bastante danificado" e necessita de reparos urgentes, com estimativas entre R$ 400 mil e R$ 500 mil para manutenção básica. Uma reforma completa ultrapassaria R$ 600 mil, limitando a capacidade de acolher novos casos, especialmente na educação, onde há uma demanda represada de cerca de 200 pessoas aguardando diagnóstico.
A Apae também enfrenta pelo menos 10 processos trabalhistas em andamento, movidos por colaboradores devido a atrasos no FGTS e questões de insalubridade, cada um estimado em R$ 500 mil. Boaretto confirmou que ocasionalmente há atrasos no pagamento de salários, mas negou um quadro generalizado, ressaltando que a folha é paga com "muita dificuldade", sem planos de demissões.
Busca por soluções e resposta da prefeitura
Para enfrentar a crise, a Apae busca alternativas como a venda de parte de seu terreno de 1,5 mil m² para obter capital extra. Representantes da entidade se reuniram com vereadores para solicitar verbas, mas, segundo Boaretto, esses recursos garantirão apenas a continuidade dos serviços, sem quitar a dívida. A entidade também negocia aumentos nos repasses com a prefeitura, especialmente nas áreas de educação e saúde.
Em nota, a Prefeitura de Santa Bárbara d'Oeste afirmou que acompanha a situação da Apae, com repasses médios mensais de aproximadamente R$ 541 mil em 2025, um aumento de 39% desde 2021. A administração municipal destacou que mantém diálogo com a entidade e que eventuais revisões de valores serão analisadas dentro das possibilidades orçamentárias do município.
Apesar da crise, a Apae planeja ampliar o atendimento, especialmente para casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) níveis 2 e 3, sem cortes nos serviços. No entanto, a situação permanece crítica, exigindo ações urgentes para evitar o colapso total da instituição.



