Anvisa suspende Bio Meds Brasil por venda irregular de medicamentos manipulados e implantes hormonais
Anvisa suspende Bio Meds Brasil por irregularidades em medicamentos

Anvisa suspende Bio Meds Brasil por irregularidades graves na manipulação de medicamentos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão imediata das atividades da Bio Meds Pharmaceutica, mais conhecida como Bio Meds Brasil, uma das maiores empresas do setor de manipulados e implantes hormonais do país. A decisão foi tomada após a identificação de irregularidades graves na manipulação e comercialização de medicamentos, incluindo a venda de produtos padronizados sem a exigência de prescrição médica individualizada.

Medidas rigorosas incluem recolhimento de produtos e proibição de comercialização

A medida determinada pela Anvisa é abrangente e inclui o recolhimento de todas as preparações líquidas da empresa, além da proibição total de comercialização, manipulação, propaganda e uso desses produtos. Segundo a agência reguladora, a Bio Meds Brasil anunciava e vendia medicamentos manipulados de forma padronizada, prontos para entrega imediata, sem a exigência de receita específica para cada paciente.

Esta prática contraria frontalmente as normas sanitárias que regem as farmácias de manipulação no Brasil, as quais exigem que cada formulação seja preparada exclusivamente a partir de uma prescrição médica individualizada, garantindo a segurança e a eficácia do tratamento para cada pessoa.

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Empresa atuava com implantes hormonais e medicamentos injetáveis manipulados

A Bio Meds Brasil atuava na produção de diversos tipos de medicamentos, com destaque para implantes hormonais e formulações injetáveis manipuladas. Entre os produtos mais polêmicos estão as versões manipuladas das chamadas "canetas" para perda de peso e os implantes hormonais popularmente conhecidos como "chip da beleza".

No caso específico dos implantes hormonais — dispositivos colocados sob a pele para liberação gradual de hormônios no organismo — sociedades médicas reconhecidas apontam a ausência de evidências científicas robustas que sustentem seu uso seguro e eficaz. Especialistas alertam para riscos significativos, incluindo trombose, problemas hepáticos e outras complicações graves de saúde.

Preocupações com padronização, segurança e controle de qualidade

As versões manipuladas de medicamentos injetáveis comercializadas pela empresa levantam sérias preocupações relacionadas à padronização dos produtos, à segurança dos pacientes e ao controle de qualidade dos processos de fabricação. A Anvisa enfatiza que a manipulação de medicamentos exige rigorosos protocolos de qualidade que garantam a estabilidade, a pureza e a eficácia terapêutica de cada formulação.

Um aspecto adicional que chama atenção é que um dos sócios da Bio Meds Brasil é o médico Luiz Paulo Schaefer, presidente da Associação Brasileira de Hormonologia. Esta entidade, que defende o uso de terapias hormonais, não é reconhecida oficialmente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) nem pela Associação Médica Brasileira (AMB), principais órgãos representativos da classe médica no país.

Empresa não se manifestou sobre a decisão da Anvisa

A reportagem tentou contato com a Bio Meds Brasil para obter um posicionamento sobre a decisão da Anvisa, mas não houve retorno até o momento da publicação. A empresa terá oportunidade de se manifestar durante o processo administrativo, e o caso será atualizado caso haja novas informações ou declarações oficiais.

A suspensão das atividades da Bio Meds Brasil representa um marco importante na atuação da vigilância sanitária brasileira, reforçando o compromisso com a proteção da saúde pública e a garantia de que todos os medicamentos comercializados no país atendam aos mais altos padrões de qualidade e segurança.

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