A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está conduzindo uma investigação aprofundada sobre casos de pancreatite que podem estar relacionados ao uso de canetas emagrecedoras. Até o momento, o órgão registrou um total de 225 notificações de suspeitas de eventos adversos, incluindo dados do sistema VigiMed e de pesquisas clínicas. Dentro desse número alarmante, seis mortes por pancreatite estão sendo analisadas como possivelmente provocadas por essas medicações.
Detalhes das notificações e princípios ativos
Em uma nota oficial, a Anvisa esclareceu que, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025, recebeu 145 notificações pelo sistema VigiMed. Esses casos envolvem diagnósticos como pancreatite, pancreatite aguda, pancreatite crônica, pancreatite necrosante e pancreatite obstrutiva em pacientes que utilizavam medicamentos com princípios ativos como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida. Ao combinar esses 145 casos com informações de pesquisas clínicas, a agência chegou ao total de 225 notificações sob suspeita.
Riscos já alertados e tendência temporal
Segundo a Anvisa, as bulas dessas medicações para emagrecimento já incluem alertas sobre o risco de pancreatite, destacando a importância do uso supervisionado. O ano de 2025 se destaca como o período com o maior número de notificações, totalizando 45 casos. Esses princípios ativos, originalmente desenvolvidos para o tratamento de diabetes, ganharam popularidade no uso off label para perda de peso, revolucionando o manejo da obesidade—uma doença que afeta uma em cada oito pessoas globalmente, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Problemas de comercialização e segurança
Enquanto essas medicações oferecem benefícios significativos no tratamento da obesidade, elas também se tornaram um desafio para autoridades policiais e sanitárias devido à comercialização com fins estéticos. Medicamentos amplamente conhecidos, como o Mounjaro (tirzepatida) e o Ozempic (semaglutida), exigem receita médica para aquisição, mas enfrentam sérios problemas de contrabando e comércio irregular.
Existem fluxos ilegais que incluem a importação do exterior, muitas vezes direcionada a clínicas estéticas, e outro ligado ao varejo, envolvendo assaltos a farmácias e estabelecimentos de saúde para vender as canetas online e em grupos de redes sociais. Além disso, há grupos que trazem essas medicações do Paraguai sem condições adequadas de refrigeração, comprometendo sua eficácia e segurança.
Investigação em andamento e cautela necessária
A Anvisa enfatiza que todos os casos, incluindo as seis mortes, estão sob investigação rigorosa, e ainda não há comprovação definitiva da relação entre os óbitos e os casos de pancreatite com o uso das canetas emagrecedoras. A agência continua monitorando a situação de perto para garantir a segurança dos consumidores e orientar práticas médicas adequadas.



