Anvisa apreende chá clandestino e proíbe suplemento de moringa ligado a surto nos EUA
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tomou medidas rigorosas contra dois produtos que representam riscos à saúde pública. De um lado, determinou a apreensão de um chá produzido em condições clandestinas em Minas Gerais. Do outro, proibiu a comercialização de um suplemento alimentar importado dos Estados Unidos, associado a um surto de infecções por Salmonella resistente a antibióticos.
Chá produzido em galpão irregular é apreendido
A Anvisa ordenou o recolhimento do chá misto Protocolo RMGI Polifenóis, comercializado pela Equilibrium Marketing Ltda. A decisão inclui a proibição de fabricação, venda, distribuição, divulgação e até mesmo do consumo do produto. A inspeção, realizada em parceria com a vigilância sanitária estadual, revelou que o chá era produzido em um galpão clandestino na cidade de Arcos, em Minas Gerais, sem alvará sanitário.
Além das condições inadequadas de produção, a rotulagem do produto apresentava informações enganosas, atribuindo a fabricação à Wevj Indústria de Suplementos, o que levantou suspeitas sobre a origem real do chá. A agência alerta que produtos fabricados sem controle sanitário podem conter contaminantes ou substâncias nocivas, representando um perigo imediato para os consumidores.
Suplemento de moringa é proibido devido a surto nos EUA
Em uma ação preventiva, a Anvisa também proibiu a comercialização, importação e uso do suplemento Dietary Supplement Rosabella Moringa Capsules, fabricado pela Ambrosia Brands LLC e à base da planta Moringa oleifera. O produto está diretamente ligado a um surto de infecção por Salmonella resistente a antibióticos nos Estados Unidos, conforme alerta emitido pela U.S. Food and Drug Administration (FDA).
Embora não haja confirmação de importação comercial do suplemento para o Brasil, a agência identificou anúncios em plataformas de e-commerce, indicando que consumidores brasileiros podem ter adquirido o produto por conta própria, através de compras online. A bactéria Salmonella costuma provocar sintomas como:
- Diarreia
- Febre
- Cólicas abdominais
Esses sintomas geralmente aparecem entre 12 e 72 horas após o consumo e podem durar até uma semana. No entanto, a cepa envolvida no surto preocupa pelas seguintes razões:
- Resiste a tratamentos convencionais com antibióticos
- Exige medicamentos mais potentes em casos graves
- Apresenta maior risco para grupos vulneráveis
Crianças pequenas, idosos e pessoas com imunidade comprometida estão entre os grupos com maior probabilidade de desenvolver complicações sérias, que podem incluir infecções mais severas e hospitalizações prolongadas.
Moringa oleifera já é proibida no Brasil desde 2019
Vale destacar que produtos à base da planta Moringa oleifera são proibidos como alimento no Brasil desde 2019. A Anvisa afirma que não há comprovação científica de segurança para o consumo da substância em nenhuma de suas formas, incluindo cápsulas, chás, pós ou bebidas.
Avaliações anteriores realizadas pela agência não conseguiram descartar efeitos potencialmente tóxicos da moringa, como:
- Danos genotóxicos: Capazes de afetar o material genético e favorecer o desenvolvimento de câncer
- Efeitos hepatotóxicos: Relacionados a prejuízos significativos ao fígado
Apesar da proibição, produtos contendo moringa continuam circulando de forma irregular no mercado brasileiro. Em muitos casos, esses itens são divulgados com promessas enganosas, sendo vendidos como capazes de prevenir ou até curar doenças como câncer, diabetes e problemas cardiovasculares, sem qualquer embasamento científico.
Orientações da Anvisa para os consumidores
A agência emite um alerta importante para a população brasileira. A orientação é que os consumidores:
- Não comprem nem consumam produtos que contenham Moringa oleifera
- Evitem itens de origem desconhecida, especialmente os vendidos online sem informações em português ou registro sanitário
- Interrompam imediatamente o uso de qualquer produto já adquirido que se enquadre nessas categorias
Denúncias sobre produtos irregulares podem ser feitas às vigilâncias sanitárias locais ou diretamente à Anvisa através dos canais oficiais da agência. A medida reforça o compromisso da vigilância sanitária brasileira em proteger a saúde pública contra produtos que representam riscos comprovados à população.



