A rotina de muitas mães com filhos considerados "atípicos" vai além do cuidado diário: envolve abdicações, preconceitos e uma luta constante por direitos. Neste Dia das Mães, o g1 e a TV Globo contam histórias de mulheres que se dedicam integralmente para garantir o melhor para seus filhos, mesmo diante de dificuldades financeiras e falta de suporte social.
Filho em primeiro lugar
Raíra Martins, mãe de Gael, de sete anos, que tem paralisia cerebral, deixou o emprego como analista de processos para acompanhar o filho de perto. "Ele responde muito bem, se mostra mais alegre, com mais vontade de fazer as coisas. Isso auxilia inclusive nas terapias. Comigo em casa, percebo uma evolução maior", conta.
Acesso a terapias e remédios
Além de levar Gael à escola e às terapias, Raíra o ajuda com o estabilizador de postura por uma hora e meia diariamente, cuida da alimentação e corre atrás de medicamentos e serviços. "O que ele devolve em carinho e sorriso é muito maior que tudo. Isso faz a gente pensar que está no caminho certo", diz.
Dificuldade financeira e dependência de ajuda
Há 19 anos, Patrícia Madeira dedica todo o tempo ao filho Daniel, também com paralisia cerebral. Ela chora ao falar das dificuldades financeiras: "A gente vive de ajuda. Só a lata de leite custa R$ 90, e a fralda dele precisa ser tamanho G, a única que não causa alergia. Ainda não desisti porque meu filho precisa".
Preconceito e falta de suporte
A professora Natália Novaes, mãe de Emmanuel, de cinco anos, que tem autismo e TDAH, enfrenta o preconceito e a falta de apoio. "Lidar com o olhar e o julgamento das pessoas é difícil. Falta suporte da sociedade e políticas públicas. Para conseguir terapias, é preciso batalhar. O amor é o que nos faz continuar", relata.
Apoio de outras mães atípicas
Natália trabalha em dois turnos e cuida de Emmanuel e da filha Melissa, de dois anos. Ela acredita que o apoio de outras mães alivia o peso: "Quando outra mãe nos compreende, convida nosso filho para uma festa de aniversário — porque muitas vezes eles não são convidados —, isso torna o pesado mais leve".
Com realidades distintas, essas mães se conectam na resistência e na certeza de que, onde falta suporte, sobra amor. Patrícia deixa um conselho: "Jamais desistam, porque eles são anjos na vida da gente".



