Ambulatório Trans no DF oferece saúde especializada enquanto Brasil lidera mortes de pessoas trans
Ambulatório Trans no DF e queda de 34,4% em assassinatos em 2025

Ambulatório de Diversidade de Gênero no DF oferece assistência especializada

O Ambulatório de Diversidade de Gênero, localizado no Distrito Federal, representa um marco importante na assistência à saúde para pessoas trans e travestis. Conhecido como Ambulatório Trans, o serviço tem como princípios fundamentais o direito à cidadania e a despatologização das identidades e expressões de gênero, promovendo um atendimento humanizado e respeitoso.

Funcionamento e serviços disponíveis

O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, nos seguintes horários:

  • Das 7h às 12h
  • Das 13h às 19h

O ambulatório está situado na EQS SUL 508/509, na Asa Sul, Brasília. Para marcar consultas de retorno, é necessário comparecer pessoalmente no local, nos horários das 7h às 12h e das 13h às 18h.

Entre os serviços oferecidos, destacam-se:

  1. Sala de acolhimento para identificação da demanda inicial
  2. Grupo de Entrada do Ambulatório com equipe multiprofissional
  3. Encaminhamento a demandas personalizadas conforme necessidade
  4. Construção compartilhada do Projeto Terapêutico Singular (PTS)

Requisitos para atendimento

O serviço é destinado a adultos acima de 18 anos completos. Para acessar o atendimento, é necessário apresentar:

  • Documento de identificação oficial com foto
  • Cartão do Sistema Único de Saúde (SUS)

O telefone para contato é (61) 3242-3559, disponível para esclarecimentos e informações adicionais.

Dossiê da Antra revela queda em assassinatos, mas Brasil mantém triste liderança

Em paralelo aos avanços na assistência à saúde, um dossiê divulgado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) nesta segunda-feira, 26 de maio de 2025, traz dados alarmantes sobre a violência contra a população trans no país.

Números da violência em 2025

O estudo registrou 80 assassinatos de pessoas trans e travestis no Brasil ao longo de 2025. Esse número representa uma queda significativa de 34,4% em relação às 122 mortes contabilizadas no ano anterior, 2024.

Apesar da redução, a Antra alerta que o Brasil mantém, pelo 17º ano consecutivo, a triste posição de país mais perigoso do mundo para a população trans. A persistência desse cenário evidencia desafios estruturais profundos.

Perfil das vítimas e distribuição geográfica

O dossiê detalha que a vítima mais jovem tinha apenas 13 anos de idade, um dado que choca e revela a precocidade da violência. O perfil predominante das vítimas é de jovens trans negras, empobrecidas, nordestinas e assassinadas em espaços públicos, com requintes de crueldade.

Em termos de distribuição geográfica, os estados com maior número de casos registrados são:

  • Ceará e Minas Gerais: 8 casos cada
  • Bahia e Pernambuco: 7 casos cada
  • Maranhão, Pará e Goiás: 5 casos cada

Entre os 80 assassinatos, a maioria esmagadora foi contra travestis e mulheres trans/transexuais, totalizando 77 casos. Apenas 3 vítimas eram homens trans ou pessoas transmasculinas.

Contexto social e fatores agravantes

Bruna Benevides, representante da Antra, destaca que muitos crimes acontecem em espaços públicos, com uso de extrema violência. Essa realidade revela a combinação perversa de transfobia, racismo e desigualdade social como motores centrais dessas mortes.

O dossiê ainda aponta que, entre os 57 casos em que foi possível determinar a raça ou cor das vítimas, 70% eram pessoas trans negras. A maioria das vítimas vivia em contexto de alta vulnerabilidade social, utilizando o trabalho sexual como fonte primária ou secundária de renda.

Esses dados reforçam a urgência de políticas públicas integradas que abordem não apenas a saúde, mas também a segurança, educação e inclusão social da população trans no Brasil.