O estado do Amazonas enfrentou um cenário preocupante em 2025, com mais de 3 mil ataques registrados envolvendo animais peçonhentos. Na capital Manaus, os números chamam a atenção: foram 398 notificações ao longo do ano, conforme dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).
Bairros com maior incidência de acidentes
Os registros no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net) revelam que determinadas áreas de Manaus concentram a maioria dos casos. Os 10 bairros e localidades com maior número de acidentes com animais peçonhentos em 2025 são:
- Cidade Nova: 31 casos
- Localidades ao longo da BR-174: 31 casos
- Jorge Teixeira: 24 casos
- Compensa: 18 casos
- Cidade de Deus: 18 casos
- Comunidades ao longo da AM-010: 16 casos
- Colônia Antônio Aleixo: 14 casos
- Alvorada: 13 casos
- Tarumã: 12 casos
- Novo Aleixo: 12 casos
Principais animais envolvidos e fatores de risco
De acordo com o levantamento, os acidentes envolveram principalmente serpentes, com 120 registros, seguidos por escorpiões (113) e aranhas (107). A Semsa destaca que o período chuvoso, conhecido como inverno amazônico, contribui significativamente para o aumento dessas ocorrências.
A bióloga Shelley Samia Fernandes, do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) Dr. Carlos Durand, explica que a água invade tocas e áreas externas durante as chuvas, forçando os animais a buscarem abrigo dentro das residências. Ela afirma que é comum encontrar esses seres em ambientes domésticos nessa época, escondendo-se em frestas, debaixo de móveis e, principalmente, em locais com entulho e lixo acumulado.
Prevenção e cuidados essenciais
A especialista reforça que a prevenção passa por medidas simples, mas fundamentais. Manter a casa limpa, sem acúmulo de lixo ou entulho, vedar ralos, fechar buracos e frestas, e realizar dedetização apenas com empresas regularizadas são ações cruciais. Crianças e idosos são mais vulneráveis, apresentando maior chance de complicações graves em casos de envenenamento.
Em situações de acidente ou contato com animais peçonhentos, a orientação é procurar imediatamente um serviço de saúde. A população não deve tentar capturar o animal; caso seja necessário, pode acionar o CCZ pelo WhatsApp (92) 98842-8359, para que uma equipe especializada faça a captura de forma segura.
Monitoramento e atendimento na rede de saúde
A diretora de Vigilância Epidemiológica, Ambiental, Zoonoses e da Saúde do Trabalhador da Semsa, Marinélia Ferreira, informou que a rede municipal monitora continuamente os casos para identificar riscos à saúde pública. Ela explica que muitos acidentes acontecem quando a pessoa entra no habitat natural do animal ou em ambientes onde ele está abrigado.
Segundo Marinélia, a Fundação de Medicina Tropical, da rede estadual, é responsável pela oferta de soro antiofídico, antiaracnídico e antiescorpiônico. Além disso, o Samu 192 pode ser acionado em ocorrências registradas na zona rural fluvial de Manaus, garantindo atendimento rápido em áreas mais remotas.
A Secretaria Municipal de Saúde reforça que a prevenção e a busca imediata por atendimento médico são essenciais para reduzir riscos e evitar complicações graves, especialmente em um estado com características ambientais únicas como o Amazonas.



