Amazonas lidera faltas escolares de adolescentes por falta de absorventes, revela IBGE
Mais de um quarto das adolescentes no Amazonas deixaram de frequentar as aulas ao menos uma vez no último ano devido à falta de acesso a absorventes íntimos. Os dados alarmantes são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Índices preocupantes no Norte do país
No estado do Amazonas, 27,9% das estudantes de 13 a 17 anos relataram ter faltado à escola por esse motivo específico. Este percentual é significativamente superior à média nacional, que se situa em 15%. O Amazonas aparece com o maior índice entre todas as unidades federativas, seguido por Roraima, com 23,5%, e Tocantins, com 23%.
Em contraste, Santa Catarina registrou o menor percentual do país, com apenas 9,2% das adolescentes ausentes das aulas devido à carência de absorventes. A pesquisa, realizada em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação, abrangeu mais de 12,3 milhões de jovens matriculados em instituições de ensino públicas e privadas em todo o território nacional.
Falta de resposta das autoridades locais
O g1 entrou em contato com o Governo do Amazonas e com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) para obter comentários sobre os dados e questionar quais medidas estão sendo implementadas para ampliar o acesso aos absorventes nas escolas estaduais. Até o fechamento desta matéria, nenhuma resposta foi fornecida pelas autoridades.
Desigualdade regional na oferta de absorventes
O IBGE também investigou a disponibilidade institucional de absorventes nas escolas. Os resultados revelam uma profunda desigualdade regional:
- Sudeste: 92% das alunas estudam em escolas que fornecem o item
- Sul: 91% das instituições oferecem absorventes
- Centro-Oeste: 88% das escolas disponibilizam o produto
- Nordeste: 80% das alunas têm acesso nas instituições
- Norte: apenas 56% das estudantes contam com a oferta escolar
Esta disparidade acentua os desafios enfrentados pelas adolescentes da região Norte, onde a oferta institucional é a mais baixa do país. A pobreza menstrual não apenas compromete a frequência escolar, mas também pode levar a práticas de risco para a saúde, quando as jovens recorrem a métodos inadequados para conter o fluxo menstrual.
A quinta edição da PeNSE destaca a urgência de políticas públicas eficazes para garantir o acesso universal a produtos de higiene menstrual, especialmente nas regiões mais vulneráveis do Brasil. A educação e a saúde das adolescentes estão diretamente vinculadas a essa questão de dignidade e direitos básicos.



